O Brasil não enfrenta mais apenas uma luta contra o vício em tabaco, mas contra toda a indústria da nicotina, onde os maiores afetados são adolescentes e jovens. Essa posição foi defendida pelo diretor-geral do Instituto Nacional de Câncer (INCA), Roberto Gil, durante um evento na última quinta-feira (28) sobre o Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio.
Roberto Gil destacou a desinformação existente sobre o tabaco, afirmando que um produto que mata um em cada dois usuários não deveria existir. O Ministério da Saúde tem alertado sobre o uso de aromatizantes e dispositivos eletrônicos, que tornam mais atrativa a iniciação ao tabaco. Esses dispositivos, como vapes e pods, adicionam sabores e aromas à experiência de consumo.
Com o tema ‘Desmascarando o apelo – combatendo a dependência de nicotina e tabaco’, a campanha deste ano debate as estratégias da indústria para atrair novos consumidores, especialmente jovens. Dados da Organização Pan-Americana da Saúde indicam que cerca de 2,6 milhões de adolescentes de 13 a 15 anos consomem tabaco no continente americano, e dois milhões utilizam cigarros eletrônicos.
Um estudo do INCA de 2025 aponta que o Brasil pode gastar até R$ 153 bilhões por ano com doenças relacionadas ao tabagismo. Vera Luiza da Costa e Silva, secretária-executiva da Comissão Nacional para a Implementação da Convenção-Quadro da OMS, destacou o aumento da atratividade dos produtos de nicotina para as gerações futuras.
Em 2012, a Anvisa instituiu a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 14/2012, que proíbe aditivos que conferem sabor ou aroma aos produtos de tabaco. No entanto, a indústria fumageira contesta a norma, alegando inviabilidade da produção nacional sem esses aditivos.
Um artigo publicado pela revista Tobacco Control refuta esse argumento, mostrando que metade das marcas de cigarros no Brasil em 2025 não continha os aditivos proibidos. O pesquisador André Zsklo defende que há viabilidade de produção sem esses aditivos, mas falta interesse das indústrias.
Roberto Gil enfatiza a necessidade de que o STF proíba a produção desses aditivos para consolidar a validade da norma e impedir novas contestações judiciais. Ele alerta que o tabagismo está se tornando uma doença pediátrica, afetando pessoas com menos de 20 anos.
Suyanne Camille Caldeira Monteiro, coordenadora da Política de Prevenção e Controle do Câncer Infantojuvenil do Ministério da Saúde, destacou a importância de prevenir a iniciação ao vício em nicotina, especialmente entre adolescentes e jovens adultos.
O tabaco é um fator de risco para várias Doenças Crônicas Não Transmissíveis, como câncer e doenças cardiovasculares. No Brasil, o Ministério da Saúde, por meio do INCA, coordena o Programa Nacional de Controle do Tabagismo, que articula políticas de prevenção e promoção da cessação do tabagismo.
