ONU reconhece Crimes de Maio de 2006 como grave violação de direitos humanos

Especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceram que os Crimes de Maio de 2006 foram uma grave violação de direitos humanos. Em comunicado divulgado na última sexta-feira, eles também cobraram do Estado brasileiro a responsabilização em relação ao caso.

Os Crimes de Maio começaram há 20 anos com rebeliões em mais de 700 presídios do estado de São Paulo, após a transferência de mais de 760 detentos, incluindo líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), para um presídio de segurança máxima. Nos dias seguintes, a ofensiva se expandiu para as ruas, resultando em uma série de ataques entre o PCC e agentes do Estado, culminando na morte de mais de 500 pessoas em todo o estado. Grande parte dessas mortes ocorreu com indícios de execução por policiais.

Segundo o relatório ‘Análise dos Impactos dos Ataques do PCC em São Paulo em Maio de 2006’, 59 dos mortos eram agentes públicos e 505 eram civis, muitos deles negros, jovens e pobres. Até hoje, esses crimes permanecem impunes.

Em maio deste ano, a organização Conectas Direitos Humanos e o Movimento Independente Mães de Maio enviaram um documento à ONU denunciando a omissão do Estado brasileiro em relação ao episódio. As entidades solicitaram que o Estado garanta o direito à memória, à verdade, à reparação e à não repetição de ocorrências violentas.

Os especialistas da ONU afirmaram que os Crimes de Maio devem ser reconhecidos como graves violações dos direitos humanos e não devem estar sujeitos a qualquer prazo de prescrição. Destacaram que o número reduzido de condenações aprofunda a impunidade e mina o direito à verdade.

Eles ressaltaram que negar acesso à Justiça com base em ‘prazo de prescrição’ agrava o sofrimento das famílias das vítimas e perpetua a impunidade do ‘racismo sistêmico e violência racializada’ das autoridades policiais brasileiras. Afirmaram a necessidade de pleno acesso à justiça, investigações confiáveis e reparações para as vítimas.

Em maio, mães e familiares de vítimas da violência estatal lançaram a segunda fase do Tribunal Popular, uma forma simbólica de julgar o Estado brasileiro pelos crimes cometidos durante os Crimes de Maio. O Tribunal Popular prevê ações para combater a violência policial e colocar o Estado sob julgamento.

Por meio de nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo destacou que todas as ocorrências de morte decorrente de intervenção policial no estado são rigorosamente investigadas, com acompanhamento das corregedorias, do Ministério Público e do Judiciário. As circunstâncias de cada caso são analisadas de forma individualizada, com base em elementos técnicos e periciais.

Fonte: Agência Brasil

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