Acordos de Abraão podem intensificar isolamento dos palestinos, dizem especialistas

Os acordos de Abraão, exigidos por Donald Trump aos países árabes, podem isolar ainda mais os palestinos na região, ampliando a margem de ação para Israel anexar a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, segundo especialistas em Oriente Médio. Assinados por Marrocos, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Sudão durante o primeiro mandato de Trump, esses acordos visam normalizar as relações de países árabes com Israel. Em 2025, o Cazaquistão se comprometeu a aderir ao pacto.

Em meio a negociações com o Irã, Trump voltou a pressionar Arábia Saudita, Catar, Paquistão, Turquia, Egito e Jordânia para que assinem os acordos, condicionando as negociações de paz com Teerã à adesão aos tratados. Ele afirmou em uma rede social que a assinatura imediata da Arábia Saudita e do Catar deveria ser o início, e que outros países deveriam seguir o exemplo.

A professora de relações internacionais da PUC Minas, Rashmi Singh, explicou que esses acordos são vistos pelos palestinos como uma traição dos países árabes. Segundo ela, os acordos alteraram a diplomacia do Oriente Médio ao tentar convencer os Estados árabes sunitas a desvincular a normalização das relações com Israel da causa palestina.

O professor de relações internacionais Mohammed Nadir, da UFABC, avalia que os acordos consolidam a subordinação dos países árabes à política de Israel e dos EUA no Oriente Médio. Ele destacou que os acordos deixam os palestinos sem apoio árabe, após os crimes perpetrados contra eles em Gaza.

Apenas o Paquistão rejeitou a proposta de Trump de assinar os acordos de Abraão, afirmando que o país não tem obrigação de acatar essa exigência. Diversos analistas acreditam que o ataque do Hamas em outubro de 2023 visava paralisar as negociações de países árabes com Israel, principalmente em relação à Arábia Saudita.

A professora Rashmi Singh acrescentou que os países signatários priorizaram interesses econômicos e preocupações de segurança em relação ao Irã, em detrimento da criação de um Estado palestino. Ela afirmou que, se Trump for bem-sucedido, isso resultará em uma catástrofe para qualquer futuro Estado palestino.

Donald Trump destacou que as nações que já aderiram aos acordos experimentaram um boom econômico. Ele afirmou que os acordos de Abraão provaram ser um sucesso financeiro, econômico e social para os países envolvidos, mesmo em tempos de conflito.

Para a professora da PUC Minas, a nova pressão de Trump visa manter a hegemonia de Israel no Oriente Médio. Ela ressaltou que emergiu uma aliança militar e diplomática dos Estados muçulmanos sunitas que pode não beneficiar as ambições de Israel, mas proporcionar alguma proteção aos palestinos.

O professor Mohammed Nadir comentou que Trump é um adepto do sionismo, ideologia política por trás do Estado de Israel. Ele destacou que os ataques contra palestinos em Gaza e Cisjordânia indicam um plano maior para eternizar a Nakba desde 1948.

Nas últimas semanas, organizações de direitos humanos denunciaram a expansão de assentamentos ilegais na Cisjordânia e ataques de colonos israelenses. Em resposta, a União Europeia aprovou sanções contra colonos israelenses. O governo de Israel anunciou que ampliaria o controle sobre a Faixa de Gaza para 70%, o que foi criticado pela Alemanha.

Fonte: Agência Brasil

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