A professora Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, declarou nesta terça-feira (2) que suspeita ter sido dopada no dia do assassinato do filho, ocorrido em março de 2021. Ré no processo, ela prestou depoimento no nono dia do júri, no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ).
Monique e o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, são acusados pela morte da criança. Segundo o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ), Jairinho torturava o enteado, enquanto Monique foi omissa em proteger o filho.
No depoimento, Monique afirmou que não acreditava que o padrasto seria capaz de agredir o menino. Atualmente, ela diz haver elementos que indicam a possível responsabilidade de Jairinho na morte. Ela relatou que, no início da relação, Jairinho era ciumento e que sofreu uma tentativa de enforcamento por parte dele em uma crise de ciúme.
Monique contou que, em janeiro, Henry reclamou ao pai, Leniel Borel, de ter recebido um ‘abraço forte do tio’, o que levou Leniel a pedir que Jairinho não repetisse o gesto. A pedido de Leniel, Monique passou a evitar que a criança ficasse sozinha com Jairinho.
Ela mencionou que Henry relatou ter recebido uma ‘banda’ e uma ‘moca’ de Jairinho, que negou as agressões, dizendo que era apenas uma brincadeira. Monique afirmou que, após esse episódio, o relacionamento entre Henry e Jairinho esfriou.
Monique rebateu a informação da babá de Henry, Thayná de Oliveira Ferreira, de que foi avisada de uma agressão em fevereiro. Ela negou ter recebido tal aviso e afirmou que nunca deixaria os dois juntos se soubesse.
Sobre a troca de mensagens com a babá, Monique relatou ter ficado apavorada ao saber que Jairinho chegou em casa antes do previsto e evitou que ele ficasse sozinho com Henry. Ela insistiu para que a babá interrompesse qualquer interação entre os dois.
No dia do crime, Monique contou que Henry estava no quarto do casal e que ela e Jairinho foram para outro quarto. Ela suspeita que Jairinho a dopou, prática que ele já teria feito antes. Monique foi acordada por Jairinho, que afirmou ter encontrado Henry no chão e o recolocado na cama.
No hospital, Monique disse que começou um ‘pesadelo’ durante as tentativas de ressuscitação de Henry. Ela afirmou que o menino chegou sem marcas de agressão visíveis, o que a levou a acreditar em uma queda da cama.
Monique mencionou que, antes de sua prisão e de Jairinho, confrontou o ex-companheiro, acusando-o de matar seu filho. Jairinho teria negado, jurando inocência com uma bíblia na mão. Ela também afirmou que foi Jairinho quem arremessou os celulares pela janela quando os investigadores chegaram.
