A inserção de mulheres negras no mercado editorial brasileiro, historicamente dominado por homens brancos, tem permitido que suas histórias ganhem vida, dignidade e humanidade. Essa é a avaliação da autora Cidinha da Silva, que lança ‘Quando borboletas furiosas se tornam mulheres negras: Nós e os livros’, da Relicário Edições, nesta sexta-feira (5), durante uma mesa de conversa na Feira do Livro.
Cidinha da Silva, em entrevista à Agência Brasil, destacou que novas histórias estão sendo contadas, trazendo à tona personagens antes subalternizados. O lançamento ocorrerá às 13h no Tablado Literário Mário de Andrade, onde Cidinha também participará de uma sessão de autógrafos.
A escritora enfatiza a necessidade de enfrentar os critérios racistas e machistas que privilegiam homens brancos no mercado editorial. Ela ressalta que pessoas sem herança literária têm conseguido criar histórias de grande interesse.
Cidinha relembra a trajetória de Carolina Maria de Jesus, que abriu caminhos para escritoras negras, mostrando a coragem de manter um projeto literário em condições adversas e os desafios do racismo no mercado editorial.
Durante o festival literário, cada visitante pode escolher dois títulos gratuitos de uma seleção diversa, promovendo o acesso à leitura. Entre os títulos disponíveis estão ‘Escritoras de Cadernos Negros’ e ‘Olhos de Azeviche’, que reúne autoras negras como Cidinha da Silva e Geni Guimarães.
Cidinha da Silva também destacou nomes de autoras negras que abriram caminhos no mercado editorial, como Maria Firmina dos Reis, Auta de Souza, Antonieta de Barros e Ruth Guimarães. Ela menciona Conceição Evaristo como um fenômeno contemporâneo de reconhecimento e sucesso.
A autora cita ainda escritoras contemporâneas como Marilene Felinto, Elisa Lucinda, Heloísa Pires Lima e Ana Paula Maia, que têm desenvolvido projetos literários consistentes. Djamila Ribeiro é destacada por sua atuação significativa no mercado editorial, abrindo novas possibilidades para autoras negras.
