Congresso entra em recesso sem analisar pautas importantes

O Congresso Nacional inicia seu recesso a partir desta sexta-feira (17), sem ter analisado diversas pautas previstas para o primeiro semestre, cuja avaliação foi adiada. A retomada dos trabalhos está programada para agosto, mas o calendário poderá ser impactado pela campanha para as eleições gerais de outubro, quando muitos parlamentares devem se envolver como candidatos.

Entre os principais projetos que aguardam votação está a proposta de emenda à Constituição (PEC) que elimina a escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. Aprovada na Câmara dos Deputados em 27 de maio, com apenas 22 votos contrários, a PEC permanece parada na mesa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O senador não encaminhou a proposta para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, sem sessões da comissão nesta semana, a análise da PEC deve ser adiada para o segundo semestre, durante a campanha eleitoral.

Na Câmara dos Deputados, uma das votações mais aguardadas é a do projeto de lei que criminaliza a misoginia, que é o ódio e a discriminação contra mulheres. O PL 896 de 2023 equipara a misoginia à prática do racismo. A relatora do projeto, deputada Tabata Amaral (PSB-SP), e a bancada feminina pressionaram para que o texto fosse votado antes do recesso, mas a apreciação em plenário foi adiada devido à pressão da ala conservadora do Congresso.

A urgência do PL que criminaliza a misoginia foi aprovada na Câmara em 1º de julho, com 293 votos favoráveis e 158 contrários. No Senado, o texto foi aprovado por unanimidade em março. Nesta semana, o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), reconheceu que a criminalização da misoginia divide o plenário e pediu que as bancadas se reúnam com a relatora Tabata Amaral para construir um “texto de consenso”.

Outro projeto pendente de análise pelo plenário da Câmara é o que amplia o limite de faturamento do microempreendedor individual para R$ 140 mil anuais. O tema chegou a ser pautado para votação em 7 de julho, mas não foi apreciado devido a impasses com a equipe econômica do governo. Entre os pontos de disputa está a sugestão de reajuste automático no teto do MEI para acompanhar a inflação, proposta rejeitada pelo governo devido ao impacto fiscal estimado em até R$ 50 bilhões anuais. Além disso, há pressão para incluir um reajuste da alíquota para quem faz parte do Simples Nacional, ponto que não constava no texto original do projeto de lei.

Fonte: Agência Brasil

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