O jogador de futebol Endrick, da Seleção Brasileira e do Real Madrid, foi nomeado nesta quarta-feira (22) o embaixador do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Brasil.
Com isso, o centroavante passa a integrar o grupo de personalidades que usam sua voz e influência para promover e defender os direitos da infância e da adolescência.
No Brasil, também são embaixadores Maísa, Renato Aragão, Daniela Mercury, Lázaro Ramos, Bruno Gagliasso e a personagem Mônica.
Em material divulgado pelo Unicef nesta quarta, o atleta afirma que o convite é mais que uma honra:
“É uma responsabilidade muito grande. Eu sei que milhões de crianças sonham todos os dias com um futuro melhor, assim como eu também sonhei. Quero usar minha voz para mostrar que elas podem acreditar em si mesmas, lutar pelos seus objetivos e nunca desistir. Nenhuma criança pode ficar para trás. Estou muito feliz de fazer parte dessa missão”.
O Unicef conta com embaixadores e embaixadoras em todo o mundo desde 1954. Eles são artistas, atletas e outras personalidades que oferecem seu talento e reconhecimento para promover e defender os direitos de meninos e meninas.
Segundo o fundo da Organização das Nações Unidas (ONU), embaixadores são escolhidos não só pela fama que possuem, mas, principalmente, pela credibilidade que têm perante o público e pela disposição para trabalhar pela infância e adolescência, mesmo tendo uma agenda profissional repleta de compromissos.
Inspiração
Endrick construiu uma trajetória meteórica nas categorias de base no Brasil até o futebol europeu, consolidando-se como um dos maiores talentos de sua geração antes mesmo de completar 20 anos. Contratado pelo Real Madrid em 2024, o atacante acumulou atuações de destaque e confirmou o potencial que o transformou em uma das principais promessas do futebol mundial.
No Real Madrid, tornou-se o jogador estrangeiro mais jovem a marcar em La Liga e o mais jovem da história do clube a balançar as redes na Liga dos Campeões, além de ser o primeiro atleta do Século 21 a marcar em suas estreias nas duas competições.
Pela Seleção Brasileira, entrou para a história ao se tornar o jogador mais jovem a marcar um gol em Wembley por uma seleção principal e passou a integrar uma lista seleta de jovens que igualaram feitos de Pelé e Coutinho com a camisa do Brasil.
De acordo com o Unicef, mais do que os números, Endrick simboliza a renovação do futebol brasileiro no cenário internacional.
“Endrick é um jovem exemplo, que inspira milhões de crianças e adolescentes, e tem um grande potencial para levar as mensagens sobre os direitos de meninas e meninos para todo o Brasil”, afirma Joaquin Gonzalez-Aleman, representante do Unicef no Brasil.
A nomeação de Endrick ocorre em um momento em que os desafios da infância no Brasil permanecem agudos: o Unicef estima que cerca de 28,8 milhões de crianças e adolescentes viviam em pobreza multidimensional em 2023, o equivalente a 55,9% da população de 0 a 17 anos, apesar de uma redução em relação a 2017. O contraste entre o sucesso meteórico de um jovem atleta e a realidade de milhões de meninas e meninos reforça o potencial estratégico de sua voz para conectar campanhas de direitos com temas como fome, saneamento precário e trabalho infantil, que continuam afetando significativamente a juventude brasileira.
Ao mesmo tempo, o país avança em marcos legais de proteção, como o recém-implementado ECA Digital, que regula o ambiente online ao proibir coleta de dados para fins publicitários e exigir mecanismos reais de verificação de idade. A presença de Endrick, um ídolo formado na era das redes sociais, como embaixador pode atuar como ponte entre essas novas normas e o público jovem, ajudando a traduzir questões complexas — segurança digital, discurso de ódio, exploração de imagem de menores — em mensagens acessíveis, num contexto em que mais de 95% das crianças a partir de 4 anos já estão na escola e expostas à cultura digital desde cedo.
Este conteúdo baseia-se na reportagem original da Agência Brasil e inclui informações e perspectivas adicionais. Link para reportagem original.
