O partido Unidade Popular (UP) formalizou neste domingo (26) a candidatura à presidência da República de Samara Martins. A chapa anunciada contará ainda com Raquel Bricio como candidata a vice-presidente.
A oficialização da candidatura ocorreu na convenção nacional do partido, realizada na Universidade Zumbi dos Palmares, no bairro do Bom Retiro, na capital paulista.
Samara é dentista do Sistema Único de Saúde (SUS), dirigente do movimento negro e de mulheres. Atua no Movimento de Mulheres Olga Benario, que apoia a luta dos sem-teto pelo direito à moradia e principalmente das mulheres negras e pobres. Já Bricio é guarda portuária sindicalista e uma das fundadoras do Movimento de Mulheres Olga Benario.
Em 2022, Samara foi candidata à vice-presidência da República pela UP na chapa encabeçada por Leonardo Péricles.
Entre as pautas defendidas pela candidata estão a reestatização de empresas privatizadas, a nacionalização de riquezas do país, o aumento do orçamento para questões sociais, além da realização de uma auditoria e da suspensão do pagamento da dívida pública do país.
A candidatura de Samara Martins insere a Unidade Popular em um debate econômico que tende a se polarizar ainda mais em 2026: enquanto pré-candidatos como Romeu Zema defendem um ciclo ampliado de privatizações de estatais estratégicas, propostas como reestatização, nacionalização de recursos naturais e auditoria da dívida pública recolocam na agenda uma visão de Estado forte, próximo das plataformas de partidos como PCB e PSTU em eleições anteriores. Esse contraste ganha relevância num país em que a dívida bruta gira em torno de 75% do PIB e o serviço de juros consome perto de 4,5% do PIB ao ano, afetando diretamente a capacidade de expansão de políticas sociais.
Há ainda um componente simbólico e sociopolítico na candidatura: a presença de uma dentista do SUS e de uma guarda portuária sindicalista, ambas militantes de movimentos de mulheres negras e moradia, sinaliza uma tentativa de conectar a agenda macroeconômica – como suspensão do pagamento da dívida e aumento de gastos sociais – à experiência concreta da precarização urbana e da desigualdade racial. Em um país em que mulheres negras seguem como o grupo com menor renda média e maior exposição à informalidade, o discurso de nacionalização de riquezas e reorientação do orçamento público pode funcionar menos como proposta tecnocrática e mais como plataforma de redistribuição radical, mirando nichos eleitorais historicamente sub-representados na disputa presidencial.
Este conteúdo baseia-se na reportagem original da Agência Brasil e inclui informações e perspectivas adicionais. Link para reportagem original.
