Crianças e adolescentes menores de 15 anos devem comparecer a uma unidade básica de saúde (UBS) ou a qualquer ponto de vacinação em todo o país neste sábado (22) para o Dia D da Campanha de Multivacinação. O objetivo é atualizar a caderneta vacinal.
A campanha começou no início do mês e segue até 1º de setembro, com a oferta de 20 doses do Calendário Nacional de Vacinação que protegem contra doenças como meningites, tuberculose e cânceres associados à infecção pelo HPV.
Pela primeira vez, a campanha conta com a vacina pneumocócica 20-valente (pneumo 20), incorporada em junho ao calendário. A dose amplia a proteção contra doenças causadas pelo pneumococo, incluindo pneumonias e meningites, e é indicado para crianças menores de 5 anos.
Até a última quarta-feira (18), o Ministério da Saúde havia distribuído mais de 180 milhões de doses para garantir a vacinação em todo o país ao longo do ano. Vacinas contra a influenza, o sarampo (tríplice viral) e a poliomielite foram as mais aplicadas.
Durante o Dia D, as seguintes vacinas poderão ser aplicadas (conforme faixa etária, histórico vacinal e indicação):
– BCG;
– hepatite B;
– penta (DTP/Hib/HB);
– poliomielite (VIP);
– rotavírus humano;
– pneumocócica conjugada 10-valente e 20-valente;
– meningocócica C;
– influenza;
– covid-19;
– febre amarela;
– meningocócica ACWY;
– tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola);
– varicela;
– DTP;
– hepatite A;
– dT;
– HPV4;
– dengue tetravalente.
Sarampo
Diante do aumento de casos de sarampo nas Américas e do registro de casos importados no Brasil, o ministério mantém a estratégia de vacinação indiscriminada contra a doença para pessoas de 6 meses a 59 anos em Guarulhos (SP), em São Bernardo do Campo (SP) e na capital paulista.
Dados da pasta mostram que, de 3 a 14 de agosto, mais de 529,8 mil doses da vacina tríplice viral foram aplicadas nos três municípios. Desse total, 87,2 mil doses foram destinadas a crianças de 5 a 11 anos – o equivalente a 16,5% das aplicações.
O Dia D de multivacinação ocorre em um momento de inflexão na cobertura vacinal infantil: dados recentes do Ministério da Saúde e de organismos internacionais indicam que o Brasil reduziu de forma consistente o número de crianças “zero dose” – aquelas que não receberam nenhuma vacina básica – entre 2023 e 2025, ao mesmo tempo em que 15 das 16 vacinas do calendário infantil apresentaram aumento de cobertura. Esse movimento é decisivo para recuperar o patamar de segurança epidemiológica perdido após sucessivos anos de queda, quando doenças antes controladas voltaram a figurar entre as principais ameaças à saúde pública.
Em paralelo, o esforço de vacinação contra o sarampo nos municípios paulistas se insere em um cenário continental de forte pressão: entre 2024 e 2025, os casos de sarampo nas Américas cresceram mais de 30 vezes, com milhares de notificações e dezenas de mortes, sobretudo em populações com baixa imunização. A resposta brasileira, combinando expansão da tríplice viral em crianças e adultos e inclusão de novos imunizantes como a pneumocócica 20-valente, tem impacto direto na redução de internações por pneumonia, meningite e outras infecções graves, além de proteger o sistema de saúde contra custos adicionais estimados em centenas de milhões de reais anuais associados a surtos evitáveis.
Este conteúdo baseia-se na reportagem original da Agência Brasil e inclui informações e perspectivas adicionais. Link para reportagem original.
