Lucas Ribeiro rebate Efraim e Cícero e destaca ações da gestão contra o crime organizado

João Pessoa, 20 de agosto de 2026 — O governador e candidato à reeleição Lucas Ribeiro (Progressistas) rebateu, na noite desta última quinta-feira (20), críticas feitas pelos adversários Efraim Filho (PL) e Cícero Lucena (MDB) nas redes sociais, e afirmou que as ações da própria Secretaria de Segurança Pública demonstram o posicionamento de sua gestão no combate ao crime organizado.

Questionado sobre um áudio que envolve um agente da Polícia Civil, o governador destacou a investigação que levou à prisão do servidor e citou o fortalecimento do Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Dracco). “De nossa parte, o combate ao crime organizado continua firme, e a resposta do nosso governo tem sido muito clara, a exemplo desse cidadão que falou aí no áudio, que foi preso. O delegado que ele cita também foi preso, resposta dada numa operação da nossa Polícia Civil. O nosso compromisso é combater o crime com firmeza”, afirmou Lucas.

A Operação Perfídus

A investigação mencionada pelo governador foi conduzida pelo Dracco e resultou, em dezembro de 2025, na prisão do delegado Braz Morroni e de outros policiais durante a Operação Perfídus. Segundo apurações da própria Polícia Civil, Morroni é acusado de receber repasses em dinheiro provenientes de negociações de drogas desviadas e de cobrar agilidade na recuperação de valores referentes a entorpecentes vendidos a prazo. A operação resultou em nove mandados de prisão, incluindo os de suspeitos apontados como intermediários entre policiais e uma facção criminosa. Em agosto, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) ofereceu denúncia contra o delegado e os demais envolvidos, e a Justiça converteu as prisões em preventivas. Como em qualquer processo em curso, os investigados têm direito à presunção de inocência até o trânsito em julgado.

“De nossa parte, o combate ao crime organizado continua firme, e a resposta do nosso governo tem sido muito clara, a exemplo desse cidadão que falou aí no áudio, que foi preso. O delegado que ele cita também foi preso, resposta dada numa operação da nossa Polícia Civil. O nosso compromisso é combater o crime com firmeza”, governador da Paraíba, Lucas Ribeiro.


Resposta a Efraim Filho

Na réplica a Efraim Filho, Lucas fez referência ao segundo suplente de senador do adversário, Erick Marinho, investigado na Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal para apurar fraudes em descontos associativos contra aposentados e pensionistas do INSS. Segundo as investigações, Marinho teria integrado um núcleo suspeito de ocultação patrimonial ligado ao esquema; o Supremo Tribunal Federal determinou medidas cautelares contra ele, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.

Lucas também mencionou o pagamento de um boleto de aproximadamente R$ 50 mil em nome de Efraim Filho, quitado por Erick Marinho — episódio já noticiado com base em dados do Coaf repassados à investigação. À época em que o caso veio a público, o senador confirmou a transação e disse que o valor correspondia ao pagamento de uma dívida pessoal com o suplente. Efraim também já rebateu publicamente acusações semelhantes feitas por Lucas em outras ocasiões da campanha, afirmando ter “ficha limpa” e nunca ter sido denunciado, e contra-atacando com críticas a aliados políticos do governador. Dias antes, em 19 de agosto, a Justiça Eleitoral já havia negado um pedido do senador para retirar do ar um vídeo de Lucas Ribeiro que fazia acusação semelhante envolvendo o caso do INSS, segundo o portal WSCOM. Até a publicação desta reportagem, a campanha de Efraim Filho não havia se manifestado especificamente sobre as declarações do governador feitas na noite de quinta-feira. O espaço continua aberto.

Resposta a Cícero Lucena

Ao responder às críticas de Cícero Lucena, o governador citou as investigações realizadas durante as eleições municipais de João Pessoa, em 2024, sobre suspeitas de interferência de organizações criminosas no processo eleitoral — a Operação Território Livre. O caso resultou na prisão, em setembro daquele ano, de Lauremília Lucena, esposa de Cícero e, à época, primeira-dama da capital paraibana, sob suspeita de aliciamento de eleitores e atuação em organização criminosa; ela foi solta poucos dias depois, por decisão da Justiça.

Na ocasião, a assessoria de Cícero Lucena classificou a prisão como “um ataque covarde e brutal, ardilosamente arquitetado por seus adversários às vésperas da eleição” e atribuiu o episódio a uma motivação política. Em maio de 2026, o TRE-PB absolveu por unanimidade Cícero Lucena e o vice-prefeito Léo Bezerra em uma ação eleitoral distinta, também vinculada à Operação Território Livre, que pedia a cassação da chapa; o relator do caso apontou não haver “provas robustas e inequívocas” de que eventuais irregularidades tivessem influenciado o resultado da eleição municipal. Não há, até o momento, indicação pública de que o processo criminal individual envolvendo Lauremília Lucena tenha sido concluído. Até a publicação desta reportagem, a campanha de Cícero Lucena não havia se manifestado especificamente sobre as declarações do governador feitas na noite desta última quinta-feira. O espaço continua aberto.

A nova sede do Dracco

Para Lucas Ribeiro, o enfrentamento ao crime organizado deve ser demonstrado pelas ações das instituições de segurança. Como exemplo, ele citou a nova sede do Dracco, inaugurada recentemente em João Pessoa. A estrutura tem cerca de mil metros quadrados e capacidade para aproximadamente 80 policiais, reunindo cinco unidades especializadas da Polícia Civil voltadas à repressão ao crime organizado, ao tráfico de entorpecentes e ao comércio ilegal de armas, além do Grupo de Operações Especiais (GOE) e do Grupo de Operações com Cães.
“A Dracco, que também foi citada no áudio, ganhou uma nova sede, com mais estrutura para que esse trabalho seja ainda mais fortalecido. O nosso compromisso está claro. As pessoas sabem o que é combater o crime com firmeza”, concluiu o governador.


A troca de acusações ocorre em meio à corrida pelo Governo da Paraíba em 2026, na qual segurança pública tem sido um dos temas centrais dos debates entre Lucas Ribeiro, Cícero Lucena e Efraim Filho. Pesquisas de intenção de voto divulgadas ao longo da campanha têm apontado Cícero Lucena na liderança da disputa, com Lucas Ribeiro na sequência.

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