O número de mortos no terremoto que atingiu o leste da Indonésia no último dia 15 chegou a 100 nesta segunda-feira (24), informou o chefe da Agência de Gestão de Desastres, enquanto as operações de socorro continuam pelo décimo dia consecutivo.
O terremoto de magnitude 7,7 sacudiu a província de Nusa Tenggara Oriental, seguido por milhares de réplicas, danificando mais de 73 mil casas e forçando a retirada de cerca de 180 mil pessoas.
O número de mortos chegou a 100 à medida que mais pessoas em tratamento não resistiram aos ferimentos, disse o chefe da agência de desastres, Suharyanto, em entrevista coletiva, acrescentando que mais de 1.600 pessoas ficaram feridas.
As autoridades distribuem ajuda humanitária por meio de helicópteros, caminhões e motos, de acordo com Suharyanto.
O terremoto foi o mais mortal da Indonésia desde 2022, quando outro, de magnitude 5,6, matou centenas de pessoas em Java Ocidental.
A Indonésia, um arquipélago com 290 milhões de habitantes, está localizada no “Anel de Fogo do Pacífico”, uma área sismicamente ativa onde as placas tectônicas se encontram e terremotos e erupções vulcânicas são frequentes.
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* Matéria alterada para correção de informação no título. São 100 mortos e não 100 mil.
Embora o terremoto em Nusa Tenggara Oriental tenha impacto devastador local, ele se insere em um padrão estrutural mais amplo: segundo dados recentes do BMKG, a Indonésia registra em média cerca de 10 mil terremotos por ano desde 2013, com mais de 1.000 eventos anuais de magnitude relevante para danos. Entre 2000 e 2022, desastres naturais — principalmente terremotos — causaram quase 190 mil mortes e afetaram cerca de 24 milhões de pessoas no país, com perdas econômicas superiores a US$ 13,5 bilhões, evidenciando que cada grande tremor pressiona um sistema já cronicamente sobrecarregado.
Esse histórico pesa de forma desproporcional sobre regiões pobres e periféricas como Nusa Tenggara Oriental, onde o índice de pobreza figura entre os mais altos da Indonésia e a maior parte das moradias não segue padrões modernos de construção sismo-resistente. Estudos de risco apontam que, em média, 650 mil pessoas por ano são afetadas por desastres no arquipélago, o que torna urgente a expansão do orçamento de gestão de riscos e de programas de reconstrução resiliente; sem investimento consistente em infraestrutura, planejamento urbano e treinamento comunitário, cada novo terremoto transforma-se num multiplicador de desigualdade social e vulnerabilidade econômica.
Este conteúdo baseia-se na reportagem original da Agência Brasil e inclui informações e perspectivas adicionais. Link para reportagem original.
