Mestres e mestras da cultura popular se reúnem em Brasília


A capital federal é palco, até sábado (29), do Encontro Mestres do Brasil, que reúne grupos coletivos populares de diferentes regiões do país, para celebrar compartilhar e fortalecer a cultura tradicional popular. O evento é gratuito e conta com apresentações a partir das 17h, na Arena Conic, no centro da cidade. 

Estão previstas oficinas de jongo, maracatu, dança de espadas e outras manifestações culturais, com debates sobre o papel dos mestres e mestras, as formas de aprendizagem e transmissão dos saberes populares tradicionais.

Além das apresentações artísticas, o evento inclui rodas de conversa, oficinas, atividades de formação e vivências com mestres e mestras como Lia de Itamaracá (PE), Mestre Manoelzinho Salustiano (PE), Mestre Tião Carvalho (MA), Mestre Ambrósio (PE), Martinha do Coco (DF), Boi de Seu Teodoro (DF), Jongo do Cerrado (DF), Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro (DF) e Carimbó Beija-Flor de Marudá (PA).


 Martinha do Coco (DF) participa do Encontro Mestres do Brasil, em Brasília. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

As ações de formação e capacitação incluem atividades como as oficinas de formação em cenografia para as culturas populares e a troca de experiências. A participação é gratuita, mas os interessados devem se inscrever aqui.

Os ingressos para as apresentações artísticas já estão disponíveis e podem ser retirados aqui . A entrada, gratuita, pede a entrega de 1kg de alimento não perecível.

O encontro é organizado pelo Instituto Brasileiro de Inovação Cultural (Ibranova) e promovido pelo Ministério da Cultura (Minc)

Veja a programação completa:

28 de agosto | Sexta-feira

  • 10h – Dois Dedos de Prosa: O que é ser mestre e mestra? / As diversas funções nas culturas tradicionais
  • 10h – Oficina de Jongo com Mestra Jociara (RJ)
  • 15h – Oficina Na Pisada do Pulso – Música e Dança com Helder Vasconcelos (PE)
  • 20h – Jongo do Cerrado (DF)
  • 21h – Martinha do Coco (DF)
  • 22h – Mestre Tião Carvalho (MA)
  • 23h – Pé de Cerrado (DF)
  • 00h30 – Mestre Ambrósio (PE)

29 de agosto | Sábado

  • 09h – Dois Dedos de Prosa: Experiências de aprendizagem / Formas de fazer, aprender e ensinar
  • 10h – Oficina de Dança de Espadas com Mestre Antônio e Mestre Tarcísio (CE)
  • 12h – Abertura da Feira de Economia Criativa e Agricultura Familiar
  • 15h – Oficina de Danças com Maurício Badé (PE)
  • 15h – Cortejo Tauá Tingá (DF)
  • 16h30 – Circo Boneco e Riso (GO)
  • 17h30 – Mamulengo Fuzuê (DF)
  • 18h – Mamulengo Sem Fronteiras (DF)
  • 19h – Moçambique de Santa Efigênia (DF)
  • 20h – Maçambique de N.Sra do Rosário de Osório (RS)
  • 21h – Adiel Luna convida João Arruda e Alexandre
  • 23h – Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro (DF)
  • 01h – Carimbó Beija-Flor de Marudá (PA


     Mestre Martinha do Coco. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O Encontro Mestres do Brasil se insere em um contexto em que a chamada economia criativa já responde por cerca de 3% do PIB nacional e emprega em torno de 7% da força de trabalho, segundo mapeamentos recentes de entidades como Firjan e IBGE. Ao associar apresentações artísticas a formação técnica e à Feira de Economia Criativa e Agricultura Familiar, o evento dialoga diretamente com a nova Política Nacional para as Culturas Tradicionais e Populares, que prevê incentivo à geração de renda, internacionalização dessas manifestações e ampliação do acesso das comunidades de base a mecanismos de financiamento cultural.

Há ainda um movimento de institucionalização do papel de mestres e mestras populares, visível em iniciativas como a criação da Rede Nacional de Mestras e Mestres das Culturas Tradicionais e Populares e em propostas legislativas que discutem a concessão de auxílio financeiro permanente a esses detentores de saberes, em moldes semelhantes às “Leis de Mestres” e “Tesouros Humanos Vivos” já adotadas por alguns estados. Em eventos como o de Brasília, esse reconhecimento deixa de ser apenas simbólico e se torna um laboratório concreto para políticas públicas que tratam a cultura tradicional como ativo econômico, educacional e de soberania cultural, especialmente relevante num país em que a diversidade cultural é um diferencial estratégico no cenário global.

Este conteúdo baseia-se na reportagem original da Agência Brasil e inclui informações e perspectivas adicionais. Link para reportagem original.

Fonte: Agência Brasil

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