Dia Mundial de Combate ao AVC: Trauma-JP alerta sobre importância do atendimento rápido

Celebrado em 29 de outubro, o Dia Mundial de Combate ao Acidente Vascular Cerebral (AVC) chama a atenção para a importância da prevenção, do reconhecimento dos sintomas e da busca imediata por atendimento médico. No Hospital Estadual de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, unidade do Governo da Paraíba em João Pessoa, a trombólise é uma das estratégias utilizadas no tratamento de pacientes com AVC isquêmico. A terapia pode ajudar a restabelecer a circulação sanguínea no cérebro e reduzir o risco de sequelas quando realizada dentro da janela terapêutica indicada.

Desde 2025, já foram realizadas mais de 90 trombólises na Unidade de AVC do hospital, que conta com 10 leitos e com uma equipe multiprofissional atuando em conjunto. O procedimento consiste na administração de um medicamento capaz de dissolver o coágulo que obstrui um vaso sanguíneo cerebral, permitindo o restabelecimento do fluxo sanguíneo em pacientes que atendam aos critérios clínicos.

A enfermeira Edcarla Soares, 30 anos, vivenciou os efeitos do tratamento. Ela deu entrada no Hospital de Trauma no dia 6 de outubro, após apresentar os primeiros sintomas de AVC. Inicialmente, ela sentiu dormência no braço direito, mas acreditou que não fosse algo grave. Imaginou que pudesse ter dormido sobre o braço e continuou trabalhando. Poucos minutos depois, perdeu também os movimentos da perna direita e caiu.

Após receber os primeiros cuidados e realizar exames no hospital onde trabalhava, ela foi encaminhada para o Hospital de Trauma de João Pessoa. Ao chegar à unidade, apresentava paralisia completa do lado direito do corpo, mas ainda estava dentro da janela terapêutica para a realização da trombólise.

Depois da avaliação médica, o procedimento foi realizado. A resposta ao tratamento foi rápida: já na segunda avaliação, a paciente começou a recuperar a sensibilidade da mão. Ao final, havia recuperado os movimentos do braço e da perna, conseguindo levantá-los novamente. Em aproximadamente 48 horas após o procedimento, ela já conseguia ir ao banheiro e se alimentar. Atualmente, está em casa, sem sequelas aparentes.

“Graças a Deus que existe a trombólise. Cheguei totalmente paralisada e saí sem sequelas. Eu já varro a casa, a cozinha. Quem olha para mim não diz que eu tive um AVC. Isso salvou a minha vida e me permitiu ter qualidade de vida”, relatou.

Para a enfermeira, o momento mais difícil foi perceber que havia perdido os movimentos. “A gente fica assustada, achando que não vai voltar ao normal. Quando comecei a melhorar e senti a sensibilidade voltando, foi a melhor sensação da minha vida. Poder mexer o braço e a perna novamente não tem comparação”, lembrou.

A experiência também mudou a maneira dela encarar a própria saúde. Mesmo sendo profissional da área, ela não reconheceu os sinais de imediato. Agora, pretende prestar mais atenção aos sinais do corpo e adotar mudanças no estilo de vida para cuidar melhor da saúde.

Segundo o coordenador da Unidade de AVC, Danilo Ventura, a organização do fluxo de atendimento, a capacitação dos profissionais e a adoção de protocolos específicos são fundamentais para que o tratamento seja iniciado no menor tempo possível. “Tempo é cérebro. Quanto mais tempo passa, mais tecido cerebral é perdido. Por isso, precisamos identificar o paciente rapidamente e fazer todo o possível para que ele receba o tratamento dentro da janela terapêutica”, explicou.

A trombólise intravenosa deve ser realizada, nos pacientes elegíveis, em até quatro horas e meia após o início dos sintomas. Isso significa que a demora para procurar atendimento pode comprometer a possibilidade de realizar o procedimento.

O fluxo de atendimento começa assim que há suspeita de AVC na classificação de risco ou em outro setor da emergência. A equipe é acionada e o paciente recebe identificação específica com uma touca vermelha para garantir prioridade na assistência e na realização dos exames.

A tomografia computadorizada é fundamental para diferenciar o AVC isquêmico, causado pela obstrução de um vaso, do AVC hemorrágico, provocado pelo rompimento de um vaso sanguíneo. Essa distinção é indispensável para definir a conduta médica, uma vez que a trombólise pode ser indicada em determinados casos de AVC isquêmico, mas não deve ser utilizada no AVC hemorrágico. A unidade também utiliza protocolos e listas de verificação para avaliar possíveis contraindicações ao procedimento, além de acompanhar as condições clínicas do paciente durante o tratamento.

O coordenador explicou que o trabalho da Unidade de AVC também envolve a articulação com outros serviços de saúde para viabilizar a transferência de pacientes que necessitem desse tratamento complementar.

A Unidade de AVC dispõe de 10 leitos, sendo um deles exclusivo para a realização da trombólise. A assistência é feita por uma equipe multiprofissional que atua em conjunto, de forma integrada, para acompanhar cada paciente desde a fase aguda até a reabilitação.

Além do tratamento na fase aguda, a assistência inclui acompanhamento clínico e avaliação de profissionais de fisioterapia e fonoaudiologia, importantes para a reabilitação e a prevenção de complicações, como dificuldades de deglutição e broncoaspiração. A rapidez no atendimento favorece a recuperação da autonomia, mas os resultados dependem de fatores como a gravidade do AVC, a extensão da lesão e o tempo transcorrido até o tratamento.

Para o diretor-geral do Hospital de Trauma de João Pessoa, Aluízio Lopes, a data reforça a importância de aliar uma assistência qualificada à conscientização da população. “O AVC exige uma resposta rápida e uma equipe preparada para tomar decisões em pouco tempo. Nosso compromisso é oferecer aos pacientes uma assistência segura e organizada, buscando ampliar as possibilidades de recuperação e reduzir o risco de sequelas. Também é fundamental que a população saiba reconhecer os sinais e procure ajuda imediatamente, porque essa atitude pode fazer toda a diferença”, destacou.

Entre janeiro e setembro de 2026, o hospital registrou 2.263 atendimentos relacionados ao AVC, contra 2.619 no mesmo período de 2025, uma redução de aproximadamente 13,6%. Os dados também mostram maior concentração de atendimentos entre pessoas com 60 anos ou mais e predominância de pacientes do sexo masculino. Os números correspondem aos atendimentos registrados no hospital e não representam, isoladamente, uma medida da incidência de AVC em toda a população paraibana.

Como reconhecer os sinais de AVC

A orientação é não ignorar sintomas repentinos, mesmo quando parecem leves ou passageiros. A escala de Cincinnati ajuda a reconhecer três sinais de alerta: assimetria facial, quando se pede à pessoa que sorria e um lado do rosto fica diferente do outro; fraqueza nos braços, quando se pede que levante os dois braços e um deles cai ou não consegue ser levantado; e alteração na fala, quando se pede que repita uma frase simples e a fala está enrolada ou há dificuldade para compreender ou se expressar.

Se qualquer um desses sinais aparecer de forma súbita, é necessário acionar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo número 192. Não se deve esperar que todos os sintomas apareçam nem que a alteração desapareça espontaneamente.

O coordenador Danilo Ventura alertou também para os erros mais comuns cometidos nesses momentos. “É crucial que a família ou os acompanhantes não tentem dar água, alimentos ou medicamentos para baixar a pressão por conta própria. Como o AVC pode afetar a deglutição, a pessoa pode se engasgar ou aspirar o líquido para o pulmão, complicando gravemente o quadro. Além disso, tentar medicar em casa atrasa o principal fator de salvamento, que é o tempo de chegada ao hospital”, reforçou.

A prevenção também é fundamental. Hipertensão arterial, diabetes e colesterol elevado estão entre os principais fatores de risco para o AVC. O acompanhamento médico regular, o uso correto dos medicamentos prescritos e o controle dessas condições ajudam a reduzir o risco da doença.

 

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