Os ateliês terapêuticos criados por Nise da Silveira completam 80 anos neste 18 de maio. A iniciativa revolucionou o tratamento psiquiátrico no Brasil ao substituir métodos agressivos, como eletrochoques e lobotomias, por atividades artísticas coletivas. Esses espaços agora fazem parte do Museu de Imagens do Inconsciente (MII), localizado no Engenho de Dentro, zona norte do Rio de Janeiro.
O MII possui o maior acervo do mundo no gênero, com mais de 400 mil obras, sendo 128 mil tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Os ateliês são reconhecidos internacionalmente por promoverem uma abordagem centrada na escuta e na expressão criativa. Nise da Silveira, nascida em Maceió em 1905, foi uma pioneira no tratamento mental e faleceu em 1999 no Rio de Janeiro.
Atualmente, os ateliês continuam em funcionamento, acolhendo pessoas que enfrentam dificuldades emocionais e psíquicas. Segundo Eurípedes Junior, coordenador de projetos da Sociedade Amigos do Museu, as obras produzidas são estudadas para entender os processos psíquicos humanos. O museu também busca ampliar a relação terapêutica e contribuir com a área social dos participantes.
Os ateliês oferecem diversas atividades, como pintura, cerâmica, e teatro. Adriana Lemos, coordenadora dos ateliês, destaca as melhorias observadas nos frequentadores, incluindo três participantes que começaram a cursar faculdades este ano. O foco é criar um ambiente onde a expressão pessoal e a dignidade humana sejam prioridades.
Lula Wanderley, psiquiatra que trabalhou com Nise, relembra a importância dos ateliês como essência do tratamento humanizado. O modelo dos ateliês também é replicado em outras instituições, como o Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro (CPRJ), onde o paciente é protagonista do processo terapêutico.
Os 80 anos dos ateliês serão celebrados com atividades ao longo do ano, começando durante a 24ª Semana Nacional de Museus. O evento inclui exposições, lançamentos de documentários e parcerias internacionais para publicação das obras de Nise. A programação visa disseminar o legado da psiquiatra e fortalecer a rede de cuidados baseada em suas práticas.
