O Banco do Brasil (BB) anunciou uma significativa queda no lucro líquido ajustado no primeiro trimestre de 2026, totalizando R$ 3,4 bilhões, o que representa uma redução de 54% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Essa queda é atribuída principalmente ao aumento da inadimplência no setor de crédito rural.
Além da queda nos lucros, o banco revisou para baixo sua previsão de lucro anual para 2026. Inicialmente estimado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, o lucro agora é projetado para ficar entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões.
O principal desafio enfrentado pelo banco é o aumento dos atrasos de pagamento entre produtores rurais, que elevou o custo do crédito e obrigou a instituição a aumentar suas provisões para perdas, atingindo R$ 16,8 bilhões. O índice de inadimplência no agronegócio subiu para 6,22%, um aumento de 3,5 pontos percentuais em um ano.
O setor agropecuário tem enfrentado dificuldades desde a quebra da safra de soja em 2024, após um recorde de produção em 2023. Esse cenário levou a um aumento nas recuperações judiciais entre produtores rurais ao longo de 2024 e 2025.
O retorno sobre patrimônio líquido (ROE) do banco também sofreu uma queda, passando de 16,7% para 7,3% em 12 meses. Este resultado ficou abaixo do registrado no último trimestre de 2025, quando o índice estava em 12,4%.
Para mitigar os efeitos da crise no campo, o Banco do Brasil reforçou mecanismos de cobrança e renegociação de dívidas, com destaque para o programa BB Regulariza Dívidas Agro. Foram renegociados R$ 37,9 bilhões, envolvendo mais de 73 mil operações e atendendo cerca de 25,5 mil produtores rurais.
Apesar das dificuldades, a carteira total de crédito do banco cresceu 2,2% em um ano, alcançando R$ 1,3 trilhão. O segmento de pessoas físicas se destacou positivamente, impulsionado pelo crédito consignado. Os ativos totais do banco fecharam o trimestre em R$ 2,6 trilhões, com o patrimônio líquido atingindo R$ 194,9 bilhões.
