Benin oferece cidadania à diáspora africana

Isaline Attelly, natural da ilha caribenha da Martinica, morava no Benin há quase um ano antes de descobrir que a ligação de sua família com o país da África Ocidental era muito mais antiga. Os registros genealógicos confirmaram que sua bisavó materna nasceu no que hoje é o Benin e, no auge da escravidão transatlântica, foi traficada para o outro lado do Oceano Atlântico.[1][2]

A revelação no ano passado impulsionou a jovem criadora de conteúdo de 28 anos a se inscrever no programa Minhas Origens Afro, iniciativa que concede cidadania beninense a pessoas de ascendência africana. Essa medida integra o plano do presidente Patrice Talon para elevar o perfil internacional do Benin, atraindo turistas e destacando o papel histórico do país no tráfico transatlântico de pessoas escravizadas.[1][2]

“Para mim, é uma fonte de orgulho. Parece que minha jornada completou o círculo”, declarou Attelly à agência de notícias Reuters após sua cerimônia de naturalização. “Estou orgulhosa e muito feliz por poder representar meus ancestrais”, acrescentou.[1][2]

As primeiras cerimônias de naturalização ocorreram em paralelo ao anúncio de projetos que resgatam essa memória coletiva, como uma nova Porta sem Retorno em Ouidah, ponto de partida clássico para o embarque de escravos no tráfico transatlântico, e uma réplica de um navio do século 18 com esculturas internas representando quase 300 cativos. Ambos os empreendimentos seguem em construção. O governo também prepara a abertura, ainda este ano, do Museu Internacional da Memória e da Escravidão na antiga residência de Francisco Felix de Souza, proeminente traficante de escravos nos séculos 18 e 19.[1]

Talon, que resistiu a uma tentativa de golpe no mês passado e deve deixar o cargo após dez anos de mandato, com eleições presidenciais marcadas para abril, mobilizou celebridades para promover a iniciativa. O cineasta Spike Lee e sua esposa Tonya Lee Lewis foram nomeados embaixadores do programa junto à comunidade afro-americana. “Nossos irmãos e irmãs em Benin estão nos dizendo: voltem para casa, recebam-nos em casa, voltem para a terra natal. Voltem onde estão suas raízes”, afirmou Lee ao canal France 24 no ano passado.[1]

Em julho de 2025, a estrela norte-americana de R&B Ciara foi uma das primeiras a receber a cidadania beninense. Ela se apresentou na semana passada em Ouidah, durante um festival anual dedicado ao vodu, onde tocou sucessos como Level Up em um show que se estendeu até as três da manhã. Seu marido, o quarterback Russell Wilson, acompanhou o evento e declarou esperar obter a cidadania “muito em breve”.[1]

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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