O primeiro ecossistema comercial brasileiro de IA generativa em português foi lançado oficialmente nesta terça-feira (19), em Brasília (DF).
O sistema SoberanIA é uma iniciativa público-privada liderada pelo Governo do Piauí, com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Ministério das Comunicações (MCOM). A iniciativa está alinhada ao Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) e ao programa Nova Indústria Brasil (NIB).
De acordo com o governo do Piauí, o ecossistema inclui tecnologias capazes de automatizar atendimentos ao público, apoiar a leitura e produção de documentos, auxiliar professores e equipes pedagógicas, e também ajudar servidores na análise de grandes volumes de informações.
Os produtos foram desenvolvidos para compreender a linguagem institucional brasileira, além de contextos culturais e administrativos do país. Segundo os organizadores, os modelos contam com grande volume de dados relacionados à gestão pública e documentos administrativos.
O pacote tem seis produtos disponíveis a partir de hoje: Gov Chat, para acesso a serviços públicos por aplicativo de mensagem; BO Fácil, para registro de boletins de ocorrência por áudio ou texto; Seduc IA, com materiais didáticos personalizados para professores da rede pública; Agentes SEI, para análise inteligente de processos do sistema; Gerador de Termo de Referência; e Acesso e Dev Kit, para gestores criarem soluções próprias.
Mais de 70 pesquisadores atuaram no programa. Na prática, as soluções já estão em operação há mais de um ano no Piauí e agora estão sendo oferecidas a municípios, estados, autarquias e estatais.
“O Brasil deixa de ser apenas consumidor de inteligência artificial estrangeira e passa a produzir a sua”, afirmou o governador do Piauí, Rafael Fonteles, presente ao evento.
O programa entra agora em fase comercial e integra a estratégia federal para a soberania digital do país.
O superintendente Nacional de Negócios do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), Carlos Alexandria, destacou que há atualmente um contexto em que o setor público brasileiro tem dependência estrutural de soluções de IA desenvolvidas no exterior.
“Precisamos de uma plataforma nacional, treinada majoritariamente em língua portuguesa e adaptada à legislação e ao contexto sociocultural brasileiro”, defendeu no lançamento do SoberanIA.
