Diversas organizações e coletivos realizaram na tarde deste sábado (6), em São Paulo, a 24ª Caminhada de Mulheres Lésbicas e Bissexuais, com o objetivo de fortalecer reivindicações específicas contra violências concretas e simbólicas que atingem de maneira única essa comunidade.
A articulação contou com grupos como a Coletiva da Visibilidade Lésbica SP, a Rede LésBi Brasil, o Lésbicas na Parada SP, a Rede Nacional Candaces, de Lésbicas e Mulheres Bissexuais Negras Feministas, e a Associação Brasileira de Lésbicas (ABL).
Este ano, o protesto destacou o aniversário de dez anos do assassinato de Luana Barbosa dos Reis, uma jovem negra, lésbica e periférica, vítima de letalidade policial. Reis foi espancada até a morte por policiais em Ribeirão Preto (SP) após recusar uma revista feita por agentes do gênero masculino, direito que deveria ter sido assegurado.
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania criou uma premiação com o nome de Luana Barbosa para reconhecer iniciativas voltadas a mulheres homossexuais e ao enfrentamento do lesbocídio e da lesbofobia. Até o momento, os agentes envolvidos no caso não responderam pelo crime.
Durante a concentração em frente ao Masp, lideranças afirmaram que a ultradireita brasileira tem agravado as perseguições contra mulheres que destoam da sociedade heteronormativa. Segundo o LesboCenso, a discriminação contra lésbicas e bissexuais se manifesta em espaços públicos através de invisibilidade, violência verbal, isolamento e assédio sexual.
A fotógrafa e modelo Helena Silva, de 26 anos, compartilhou suas experiências como pansexual, destacando a invisibilidade e os estereótipos enfrentados por bissexuais, que utilizam a figura do unicórnio para ilustrar o desdém com que sua orientação é tratada.
Helena, negra e moradora da periferia, relatou dificuldades em discutir suas experiências em casa devido a um ambiente conservador. Para informações sobre saúde, recorreu a amigos que não viam suas questões como tabu.
Thais Souza, tatuadora e videomaker, frisou que nunca permitiu que ninguém limitasse sua expressão pessoal ou sexualidade, relatando que sua família só se tranquilizou quando ela demonstrou estabilidade profissional. Hoje, sua família a respeita e se orgulha de suas conquistas, superando preconceitos enraizados.
