A imagem da rua coberta de neve e o frio são lembranças da chegada de Osmin Carlson, nome artístico do policial Carlos Hogendorp, à cidade de Leeuwarden, na Holanda, aos 4 anos. Hoje, com 31 anos, ele sonha em voltar a viver no Brasil, após uma reviravolta ao buscar e conhecer suas raízes.
Carlos foi adotado por um casal holandês junto com dois de seus irmãos biológicos quando vivia em um abrigo em Leme (SP). A ancestralidade brasileira o motivou a se dedicar à conscientização sobre os cuidados que a infância merece. Durante uma visita ao Brasil, ele participa de palestras e rodas de conversa sobre sua jornada de descoberta.
Ele lembra das dificuldades no abrigo para crianças em extrema vulnerabilidade e das memórias que surgiram ao decidir, há 10 anos, entender suas origens. Os pais adotivos foram abertos a conversar sobre a adoção, mesmo quando as palavras eram difíceis de compreender.
A adoção internacional, regulamentada pelo Decreto nº 3.174, é uma prática permitida no Brasil, com regras que asseguram o interesse da criança. No caso de Carlos, todos os seus direitos foram respeitados. Ele se adaptou rapidamente à vida na Holanda, inclusive à formação como policial.
O interesse pelo Brasil despertou durante a Copa do Mundo de 1998, ao torcer pela seleção brasileira. Esse sentimento cresceu em 2013, quando sua então namorada ficou grávida, levando-o a questionar suas origens. Um programa de TV holandesa ajudou a encontrar sua mãe biológica e irmãos no Brasil.
Carlos encontrou a mãe em 2014, após ela cumprir pena por furto. Conhecer a família foi um choque de realidade, ao ver a situação e outras histórias semelhantes. Atualmente, ele trabalha voluntariamente para divulgar a necessidade de apoio aos processos de adoção e apadrinhamento no Brasil.
O apadrinhamento afetivo permite que pessoas apoiem crianças e adolescentes em instituições de acolhimento. Carlos deseja ser uma voz de incentivo à adoção por famílias brasileiras, para que as crianças não precisem sair do país. Ele testemunha que muitos brasileiros adotados na Europa sentem falta do Brasil, mas evitam falar sobre isso para não magoar suas famílias adotivas.
Carlos considera importante trazer seu testemunho sobre a infância bem tratada e sonha em voltar a morar no Brasil. Ele também deseja apresentar o país à sua filha, Viena, de 13 anos. Apesar das diferenças culturais, ele reconhece que nunca lhe faltou amor.
