O Conselho Federal de Medicina (CFM) anunciou nesta segunda-feira (1º) a proibição do uso do polimetilmetacrilato (PMMA) em preenchimentos na pele, citando sequelas graves como alergias, inchaço, dor intensa, deformações e até morte. A decisão visa proteger a segurança dos pacientes contra os riscos associados ao uso deste material.
A proibição do uso injetável do PMMA por médicos será oficializada a partir desta terça-feira (2), com a publicação da resolução nº 2.461/2026 no Diário Oficial da União. O presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, enfatizou a importância de impedir o uso do polímero em procedimentos estéticos ou reparadores, destacando a decisão como um passo ético crucial.
A resolução se aplica exclusivamente ao ato médico, conforme explicou a relatora e cirurgiã plástica Graziela Bonin. Ela afirmou que qualquer uso ou publicidade do PMMA constituirá infração, independentemente de denúncias de danos. O PMMA, um material plástico transparente registrado na Anvisa, é usado como preenchedor facial e corporal definitivo.
Baseando-se em recomendações de sociedades de Cirurgia Plástica e Dermatologia, Bonin alertou que o PMMA pode causar reações inflamatórias crônicas, formação de granulomas e outras complicações sérias. A dificuldade de remoção do produto após reações adversas pode resultar em cirurgias mutilantes, segundo a especialista.
A única exceção à proibição é para o tratamento de lipodistrofia em pacientes com HIV/aids, autorizado apenas em unidades do SUS. Em janeiro de 2025, o CFM solicitou à Anvisa o banimento total do PMMA devido a mortes associadas ao uso por profissionais não médicos. No entanto, a Anvisa não viu necessidade de intervenção no mercado.
A Anvisa declarou que o PMMA é seguro se utilizado conforme as indicações aprovadas, rejeitando medidas adicionais de restrição. O uso do PMMA é restrito a profissionais médicos legalmente habilitados e treinados, com dois preenchedores registrados no Brasil: Linnea Safe e Biossimetric.
