Cinco criminosos do Comando Vermelho foram presos esta semana no Rio

As forças de segurança do Rio de Janeiro deflagraram, ao longo desta semana, uma ofensiva que resultou na prisão de cinco lideranças do tráfico de drogas ligadas ao Comando Vermelho e procuradas em diferentes regiões do país. Os criminosos, naturais de Goiás, Piauí, Mato Grosso, Bahia e Alagoas, haviam escolhido o território fluminense como refúgio para se esconder da perseguição policial em seus estados de origem, ao mesmo tempo em que continuavam a comandar à distância as ações do crime organizado. As detenções, realizadas entre segunda-feira e sexta-feira, foram fruto de ações de inteligência integradas entre as polícias Civil e Militar do Rio e forças de segurança de outros estados, e tiveram como alvo suspeitos envolvidos em homicídios, tráfico de armas e drogas, estupros, roubos e ataques a agentes públicos.

O caso mais recente foi o de Cássio Dumont, conhecido como “Cascão”, capturado no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, na região central da cidade. Apontado como uma das principais lideranças do crime organizado em Goiás, ele é acusado de comandar o tráfico de drogas e de ter participado de uma fuga na Penitenciária de Trindade, na região metropolitana de Goiânia, episódio que expôs a articulação interestadual de facções e a fragilidade do sistema prisional. A operação que levou à sua prisão mobilizou o Batalhão de Operações Especiais (Bope) e a Subsecretaria de Inteligência da Polícia Militar, em parceria com órgãos de segurança goianos, e é tratada como um golpe estratégico contra o braço goiano do Comando Vermelho.

Na região metropolitana, São Gonçalo foi palco da prisão de uma das lideranças do tráfico de drogas da Bahia, ligada ao grupo conhecido como “Bonde do Maluco”, facção que disputa território e poder com rivais no estado baiano. O suspeito foi localizado por policiais civis da 29ª Delegacia Policial, com base em informações de inteligência compartilhadas. Contra ele havia três mandados de prisão por homicídio, o que, segundo investigadores, evidencia o perfil de alta periculosidade dos alvos da semana e a conexão entre conflitos locais em outros estados e a presença de criminosos em áreas periféricas do Rio.

Outro ponto da ofensiva foi Itaboraí, na região metropolitana, onde a Polícia Militar prendeu Rafael Amorim de Brito, o “Rafão”, considerado o criminoso mais procurado do Mato Grosso. Ele estava escondido em uma residência e, de acordo com as investigações, acumulava passagens por estupro, tráfico de drogas e roubo, além de quatro mandados de prisão em aberto expedidos pela Justiça mato-grossense. As autoridades também o apontam como responsável por assassinatos de policiais, entre eles o sargento Odenil, morto em dezembro de 2024, crime que provocou grande comoção entre agentes de segurança e acelerou o intercâmbio de informações entre corporações de diferentes estados para localizar o foragido.

A série de prisões começou na segunda-feira, na Tijuca, quando policiais do 6º BPM detiveram um suspeito ligado a 19 homicídios no Piauí. Conhecido como “Gordinho”, ele é acusado de integrar o “Bonde dos 40”, facção cujo nome remete ao conto popular de origem árabe “Ali Babá e os Quarenta Ladrões” e que é associada a execuções sumárias, disputas por pontos de venda de drogas e intimidação de comunidades. A captura em uma área da zona norte do Rio sustenta a avaliação de que líderes de facções de outros estados buscam no Rio uma espécie de retaguarda para se reorganizar, longe do foco de atuação principal das polícias de seus locais de origem.

Ainda na segunda-feira, Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, foi cenário da prisão do líder do tráfico de drogas de Campo Alegre, em Alagoas. A ação foi conduzida pela 59ª Delegacia Policial, após um trabalho de inteligência que envolveu troca constante de informações com a Polícia Civil alagoana. Contra o suspeito pesavam dois mandados de prisão preventiva por tentativa de homicídio qualificado. A localização do foragido na Baixada expõe como cidades da região, cortadas por importantes vias de acesso e marcadas por áreas de ocupação irregular, se transformam em pontos estratégicos para criminosos que buscam se ocultar e, ao mesmo tempo, manter influência sobre o tráfico em seus estados.

Para as forças de segurança fluminenses, a prisão simultânea de cinco lideranças em apenas cinco dias indica a capacidade de articulação de operações interestaduais e a importância do uso intensivo de inteligência policial na identificação de rotas de fuga e redes de apoio a foragidos. Investigadores afirmam que os resultados desta semana alcançam não apenas indivíduos, mas toda uma cadeia criminosa que se apoia na circulação de armas, drogas e dinheiro entre diferentes unidades da federação. Ao mesmo tempo, avaliam que as capturas tendem a provocar uma reorganização interna nas facções, com disputas por espaços de poder e possíveis reflexos em territórios já marcados pela violência.

Especialistas em segurança pública apontam que o movimento desses criminosos para o Rio de Janeiro não é casual. O estado, por concentrar grandes facções, extensas áreas de comunidades sob domínio armado e uma rede consolidada de tráfico, é visto como ambiente favorável para que lideranças de outros locais se escondam, negociem alianças e diversifiquem rotas. A resposta das polícias, com ações pontuais e baseadas em inteligência, busca justamente romper essa lógica de refúgio, transmitindo o recado de que a mobilidade entre estados não garante impunidade. Nos bastidores, autoridades afirmam que novas operações já estão em curso, com foco em outros foragidos de alta periculosidade que podem estar circulando pelo território fluminense sob a proteção de facções locais.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)