Venezuela anuncia retorno de navio petroleiro em operação com EUA

O governo da Venezuela anunciou, na noite de sexta-feira (9), a realização da primeira operação conjunta bem-sucedida com os Estados Unidos para garantir o retorno ao país do navio petroleiro Minerva, que, segundo as autoridades de Caracas, havia deixado o território venezuelano sem pagamento e sem a devida autorização. Em comunicado divulgado pela estatal petrolífera PDVSA e pelo Ministério de Hidrocarbonetos, o episódio foi descrito como uma ação coordenada entre Caracas e Washington destinada a assegurar a volta da embarcação às águas venezuelanas para “proteção e ações pertinentes”, após o que o governo venezuelano classificou como uma saída irregular do navio com carga de petróleo.

Do lado norte-americano, o presidente Donald Trump também divulgou a operação em sua rede social, ressaltando que a interceptação ocorreu “em coordenação com as autoridades interinas da Venezuela”. Ele afirmou que o navio-tanque, apreendido depois de deixar o país sem autorização, está a caminho de volta ao litoral venezuelano e que o petróleo transportado será comercializado por meio do chamado Grande Acordo Energético, mecanismo criado, segundo Trump, para viabilizar esse tipo de venda em meio às novas diretrizes estabelecidas por Washington para o setor energético envolvendo a Venezuela.

A interceptação do petroleiro no Caribe foi apresentada como parte de um esforço conjunto de combate a atividades consideradas ilegais no comércio internacional de petróleo, em cenário de forte tensão política e institucional na Venezuela após a intervenção armada dos Estados Unidos, que resultou no sequestro e prisão do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores. A ação militar completa uma semana neste sábado (10) e, desde então, o país vive sob a liderança de um governo interino, que tenta recompor canais diplomáticos ao mesmo tempo em que enfrenta uma profunda crise de legitimidade interna e disputa de narrativas no plano internacional.

Nesse contexto, a vice-presidente e agora presidente interina, Delcy Rodríguez, informou que, no mesmo dia da operação com o petroleiro, tratou com autoridades norte-americanas do chamado “processo diplomático” para a abertura de embaixadas dos Estados Unidos em território venezuelano. Segundo ela, esse movimento faz parte de uma estratégia para administrar a nova fase das relações bilaterais após a intervenção, mas sem abdicar da posição de denúncia do que caracteriza como agressão contra o país. Em mensagem pública, Rodríguez afirmou que o principal objetivo desse processo é reiterar a condenação à intervenção armada e às ações que culminaram na captura de Maduro e de sua esposa.

Apesar do quadro de forte tensão, a presidente interina insistiu que a resposta da Venezuela ocorrerá prioritariamente no campo diplomático. Ela evocou o conceito de “diplomacia bolivariana de paz” como instrumento para, ao mesmo tempo, defender a estabilidade interna, o futuro político do país e o que descreve como a “sagrada soberania” venezuelana. Segundo Rodríguez, essa via diplomática será usada para proteger a população e também para construir as condições necessárias para o retorno de Nicolás Maduro e de Cilia Flores, meta que, de acordo com ela, exigirá “paciência e determinação estratégica”.

O anúncio da operação conjunta em torno do navio Minerva, dessa forma, é tratado por Caracas e por Washington como um raro gesto de cooperação operacional em meio a um cenário de intervenção militar, disputas de poder e reorganização de alianças. Ao mesmo tempo, serve de vitrine para as autoridades interinas venezuelanas, que buscam demonstrar capacidade de diálogo com os Estados Unidos sem abrir mão do discurso de resistência à agressão estrangeira, enquanto parte da comunidade internacional acompanha os desdobramentos políticos e diplomáticos no país sul-americano.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)