Comunidades quilombolas celebram titulação de territórios pelo presidente Lula

Quando ouviu os nomes dos territórios que seriam titulados pelo presidente Lula, Carlene Printes, coordenadora estadual das associações das comunidades remanescentes de quilombo do Pará, comemorou intensamente. Ela correu até o palco, abraçou Lula e celebrou durante o encontro nacional de mulheres quilombolas, realizado no Distrito Federal. O evento, que reúne mais de 600 mulheres, ocorre até este domingo.

Carlene expressou sua alegria ao afirmar que foram surpreendidos positivamente com três decretos de territórios que aguardavam há muitos anos. Em entrevista à Agência Brasil, ela destacou a importância da titulação para a segurança das comunidades, que enfrentam ameaças de arrozeiros, fazendeiros e mineradoras. A titulação é vista como uma proteção essencial para os povos quilombolas, garantindo acesso a políticas públicas e maior segurança para as famílias.

Hilário Moraes, representante da comunidade de Santa Luzia, no Marajó, também estava eufórico com o decreto. Ele descreveu o ato como uma resposta e um ato de reparação, ressaltando as ameaças enfrentadas pela comunidade, composta por 19 famílias em um território de 526 hectares. Moraes enfatizou que a comunidade, que vive da agricultura familiar, é responsável pela proteção do bioma amazônico.

A titulação também beneficiou a comunidade de Invernada dos Negros, em Santa Catarina. Adriana Ferreira da Silva, liderança local, homenageou mulheres vítimas de violência e celebrou a chegada de políticas públicas. Ela destacou que as mulheres quilombolas têm um papel ativo no mundo.

Os territórios quilombolas são áreas ocupadas por comunidades negras descendentes de pessoas escravizadas durante a colonização do Brasil. As áreas tituladas abrangem 11,6 mil hectares e beneficiam 1.780 famílias.

Durante o evento, o Incra anunciou a publicação de uma portaria reconhecendo o território Porto Leocádio, em Goiás, beneficiando 20 famílias em 1,5 mil hectares. Também foram anunciados cinco novos Relatórios Técnicos de Identificação e Delimitação para territórios em diferentes estados, contemplando cerca de 800 famílias e aproximadamente 22 mil hectares. O RTID é um documento que define os marcos territoriais das áreas ocupadas por famílias quilombolas.

Fonte: Agência Brasil

Leia mais