Comunidades tradicionais oferecem soluções para crise climática

Os povos indígenas, comunidades quilombolas, ribeirinhas e periféricas estão apontando caminhos para mitigar os efeitos da crise climática e preservar a biodiversidade através de suas culturas tradicionais e participação social.

O tema foi debatido no painel “Saberes tradicionais e soluções climáticas”, durante a 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, promovida pelo Ministério da Cultura (MinC) em Aracruz, Espírito Santo.

Especialistas e representantes dessas populações destacaram a necessidade de investimentos para manter e disseminar essas práticas culturais, muitas já reconhecidas como tecnologias sociais e ambientais.

Edvando Vieira, representante da comunidade tradicional de Fundo de Pasto Várzea Grande, em Oliveira dos Brejinhos, Bahia, afirmou que os saberes das comunidades já oferecem respostas para as demandas dos territórios.

Carla Craice, coordenadora de Temas Transversais do MinC, declarou que a política cultural está sendo consolidada ao ampliar o conceito e incorporar conhecimentos ancestrais que historicamente promovem a sustentabilidade.

Durante a Teia, o Projeto Memória das Águas: Vivências Tupinikim na Aldeia Comboios apresentou ações de preservação ambiental e modos de vida baseados nos saberes da comunidade.

Hudson Coutinho, vice-presidente da Associação Indígena Tupiniquim de Comboios, explicou que os trabalhos no território envolvem questões como lixo, reflorestamento e preservação do manguezal.

A Aldeia Comboios foi diretamente afetada pelo rompimento da barragem de Mariana em 2015 e ainda sofre com os impactos dos rejeitos de mineração.

O cacique Jocinaldo Coutinho relatou que os prejuízos do desastre afetaram a pesca, a cata de mariscos e as plantações no território.

Mariana Resegue, diretora executiva da organização C de Cultura, destacou a importância dos saberes tradicionais, mas alertou sobre a falta de institucionalização e financiamento.

Fonte: Agência Brasil

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