Apesar dos avanços na vacinação contra o HPV no Brasil, o Acre enfrenta grandes dificuldades para atingir as metas estabelecidas. Em 2022, a cobertura vacinal no estado foi de apenas 59% entre meninas e 50% entre meninos, os menores índices do país.
Um incidente em 2017, onde 74 adolescentes apresentaram sintomas como dores de cabeça e desmaios após a vacinação, gerou uma onda de desinformação. Investigações comprovaram que a vacina não foi responsável pelos sintomas, mas o caso repercutiu amplamente.
Renata Quiles, coordenadora do Programa Nacional de Imunizações no Acre, relata que o número de notificações de efeitos adversos aumentou drasticamente devido ao medo disseminado. Uma força-tarefa foi montada para investigar, levando 12 jovens com sintomas graves para exames na USP.
A investigação concluiu que a maioria dos casos estava relacionada a crises psicogênicas não epiléticas, uma resposta ao estresse, e não à vacina. As Sociedades Brasileiras de Pediatria e de Imunizações reforçam que a vacina é segura e que os sintomas foram desencadeados por estresse.
Mayra Moura, da Sociedade Brasileira de Imunizações, destaca que o movimento antivacina explorou o incidente, espalhando desinformação. Muitos pais temiam que a vacina incentivasse a sexualidade precoce, o que afetou a adesão.
No Acre, a vacinação caiu drasticamente após 2017, com menos de 10% dos adolescentes se vacinando em 2018 e 2019. Renata Quiles lamenta a dificuldade em divulgar os resultados da investigação que inocentaram a vacina.
Eventos adversos são comuns em qualquer medicamento, mas a segurança da vacina contra o HPV é amplamente comprovada, com uma efetividade superior a 90%. O Brasil possui um sistema de farmacovigilância robusto para monitorar e investigar qualquer evento adverso.
O esforço contínuo dos profissionais de saúde tem ajudado a recuperar a confiança na vacina. Em Porto Walter, iniciativas como o ‘Cinema da Imunização’ têm aumentado a adesão, mostrando que estratégias criativas podem combater a desinformação.
A vacina contra o HPV é essencial para prevenir cânceres associados ao vírus, como o de colo de útero. O SUS oferece a vacina para jovens de 9 a 14 anos e outras populações vulneráveis, destacando a importância da imunização para a saúde pública.
