No Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores do Campo, a auditora-fiscal Alessandra Bambirra destacou à Agência Brasil os desafios enfrentados pelos trabalhadores rurais no Brasil, que ainda sofrem com a precarização. Apesar da mecanização em diversas culturas, muitos trabalhadores rurais permanecem em desvantagem em relação aos urbanos, especialmente no que diz respeito a conhecimento, educação e acesso à informação.
A auditora-fiscal ressaltou a discrepância socioeconômica no campo, onde coexistem empresas altamente qualificadas e trabalhadores em situações degradantes, sem condições mínimas de dignidade. Bambirra também confirmou a persistência do trabalho escravo no país, que é mais crítico no meio rural, com jornadas exaustivas e condições degradantes de moradia.
Minas Gerais é pioneiro no combate ao trabalho escravo, mas a auditora-fiscal destacou a necessidade de mais estrutura e pessoal para a fiscalização. Ela enfatizou a importância de políticas públicas eficazes e a responsabilização das cadeias produtivas para combater situações degradantes de trabalho. Algumas grandes empresas já buscam associar suas marcas a processos de produção livres de trabalho escravo e infantil.
Ainda marcado pela informalidade, o trabalho no campo deixa os trabalhadores vulneráveis à exclusão previdenciária e à precarização. Muitos dos resgatados de situações irregulares vêm de regiões vulneráveis, como Minas Gerais e o Nordeste, muitas vezes aliciados por intermediários.
A integração entre poder público e empresas do setor rural é essencial para melhorar as condições dos trabalhadores do campo. Apesar das dificuldades, o Brasil possui políticas reconhecidas internacionalmente, como o modelo de Previdência Rural, que assegura proteção social a trabalhadores em regime de subsistência. A fiscalização do trabalho é vista como uma ferramenta crucial para combater irregularidades e prevenir violações.
Em 2025, Minas Gerais realizou 783 ações fiscais em estabelecimentos rurais, identificando 2.063 trabalhadores em situação irregular. Recentes operações no estado resgataram 59 trabalhadores em lavouras de café e 18 em condições degradantes em carvoarias, revelando a presença de núcleos familiares vivendo em condições precárias.
