Exposição destaca 45 anos de criação da Fundação Casa de José Américo

Os 45 anos de criação da Fundação Casa de José Américo (FCJA) são o destaque da exposição que será aberta, nesta quarta-feira (6), às 10h, em João Pessoa. A mostra, aberta ao público e com painéis temáticos, históricos e documentais, foi montada no hall do Anexo I da instituição, localizada à Avenida Cabo Branco, 3336, na orla da capital paraibana. A FCJA foi criada pela Lei 4.195, de 10 de dezembro de 1980, e inaugurada em janeiro de 1982.

Salvaguardar o legado de um homem das letras e da história. Essa é a principal missão da Fundação Casa de José Américo. Guardiã da memória, da tradição, do valor, do exemplo, da influência, da contribuição, da marca, do saber, da cultura, da lição, dos princípios e do conhecimento de uma das principais personagens da vida contemporânea da Paraíba e do Brasil”, ressalta o presidente da FCJA, Fernando Moura.

A Fundação, segundo Moura, é, na prática, “o cofre dos legados [histórico, político, administrativo e literário] de Zé Américo. Uma caixa-forte onde estão preservados os acervos de um homem com visão de futuro”. Ele ressalta a importância do autor de ‘A Bagaceira’. “José Américo é um enigma. Vamos passar décadas e não conseguiremos decifrar totalmente esse paraibano, que vivenciou inúmeros momentos históricos”.

Para o presidente da FCJA, José Américo é um homem para ser estudado permanentemente. “E o papel da Fundação que leva seu nome é fazer esse estudo e abrir para que as pessoas tenham acesso a esses dois milhões e meio de documentos existentes aqui. Esta exposição dos 45 anos é se preocupar com a própria história, que está dentro da Fundação. O acervo está aqui. Então, não tem o porquê de não contar essa história. Pois é uma história bonita e necessária”.

O paraibano José Américo de Almeida nasceu em Areia, no dia 10 de janeiro de 1887, e morreu em João Pessoa, aos 93 anos, em 10 de março de 1980. O romancista, ensaísta, poeta, cronista, político, advogado, professor universitário, folclorista e sociólogo Zé Américo formou-se em Direito pela Faculdade de Direito de Recife, em 1908, tendo sido promotor público da comarca da capital pernambucana, promotor público do município paraibano de Sousa, procurador-geral do estado da Paraíba, secretário de governo, deputado federal e interventor.

Ele foi ministro da Viação e Obras Públicas nos dois governos de Getúlio Vargas, senador, ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), governador da Paraíba, fundador da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e seu primeiro reitor. Líder civil da Revolução de 1930 no Nordeste, assumiu no decurso da revolução o governo da Paraíba e as funções do Governo Federal na área controlada pelos revolucionários, por ordem do chefe militar, o capitão Juarez Távora.

Chegou a ser pré-candidato à Presidência da República, apoiado por Vargas para as eleições de 1938, que não aconteceram em razão do autogolpe dado por Getúlio, em 1937, que deu início ao período do Estado Novo.

Entre suas obras literárias estão ‘Reflexões de Uma Cabra’ (1922), ‘A Paraíba e Seus Problemas’ (1923), ‘A Bagaceira’ (1928), ‘O Boqueirão’ (1935), ‘Coiteiros’ (1935), ‘Ocasos de Sangue’ (1954), ‘Discursos de Seu Tempo’ (1964), ‘A Palavra e o Tempo’ (1965), ‘O Ano do Nego’ (1968), ‘Eu e Eles’ (1970), ‘Quarto Minguante’ (1975) e ‘Antes Que Me Esqueça’ (1976).

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