O Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP) e a Associação de Amigos do Museu de Folclore Edison Carneiro inauguram no dia 30, às 17h, a exposição ‘Filhas e netas da Mãe do Barro: as louceiras de Maruanum’. Esta é a primeira vez que as cerâmicas, produzidas com matéria orgânica do solo amazônico e que combinam saberes indígenas e africanos do distrito de Maruanum, no Amapá, são exibidas fora do estado.
A exposição é organizada pelo CNFCP, uma unidade especial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no Rio de Janeiro. A antropóloga Ana Carolina Nascimento, responsável pela pesquisa de campo em Maruanum realizada em outubro de 2025, explicou que a exposição era um desejo de mais de 15 anos. A sazonalidade da matéria-prima e questões orçamentárias atrasaram a realização da mostra.
As louceiras de Maruanum utilizam barro, cinzas da casca da árvore caripé e resina de jutaicica para criar suas peças. O processo de produção envolve rituais específicos, como a modelagem de pequenas peças que são oferecidas à ‘mãe do barro’. Atualmente, 26 pessoas, incluindo 20 mulheres, dois homens e quatro crianças, mantêm a tradição nas 16 vilas do distrito quilombola de Maruanum, a 80 quilômetros de Macapá.
Michel Bueno Flores da Silva, superintendente do Iphan no Amapá, destaca a importância do reconhecimento desse ofício tradicional como Patrimônio Imaterial. A solicitação de registro busca garantir a preservação e visibilidade dessa prática cultural. Ana Carolina Nascimento acredita que a participação de jovens, como os dois meninos que já praticam a louçaria, pode incentivar a continuidade da tradição.
No dia da abertura da exposição, haverá uma roda de conversa com a presença da mestra Marciana Dias, de 85 anos, e outras figuras importantes da comunidade. Marciana, além de ser a louceira mais velha em atividade, é também mestra do grupo de marabaixo e fundadora da Associação de Louceiras. A exposição apresenta 208 peças de 18 artesãos de Maruanum, que estarão disponíveis para compra no Ponto de Comercialização Permanente do CNFCP.
A mostra ficará aberta ao público até 1º de julho e depois seguirá para Macapá e Maruanum. A entrada é gratuita e o CNFCP está localizado na Rua do Catete, 179, no bairro do Catete, Rio de Janeiro.
