Fundo Eleitoral 2026: PL lidera repasse de quase R$ 5 bilhões para campanhas; federações partidárias concentram 44% do total

TSE distribui R$ 4,96 bilhões entre 30 legendas para as eleições gerais deste ano — cinco maiores partidos ficam com mais da metade da verba pública

PL recebe R$ 881,7 milhões e lidera ranking; federação entre PP e União Brasil supera valor isolado do partido de Bolsonaro

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou os valores do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) — o chamado Fundo Eleitoral — que cada uma das 30 legendas registradas na Justiça Eleitoral vai receber para bancar as campanhas das eleições gerais de 2026. Ao todo, cerca de R$ 4,9 bilhões serão repartidos entre os partidos, conforme os critérios definidos pela legislação eleitoral, em valor mais preciso de R$ 4.961.519.777,00.

Como empresas estão proibidas de doar para campanhas desde 2015, o Fundo Eleitoral — abastecido inteiramente com dinheiro público do Orçamento da União — tornou-se uma das principais fontes de financiamento das disputas eleitorais no país. A distribuição entre as siglas segue critério de representatividade no Congresso: quanto maior a bancada, maior a fatia recebida.

Como fica a distribuição

O Partido Liberal (PL), legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro, é o maior beneficiado, com R$ 881,7 milhões — o correspondente a 17,77% de todo o fundo. Na sequência aparecem o Partido dos Trabalhadores (PT), com R$ 615,4 milhões, e o União Brasil, com R$ 526,2 milhões. Somadas, as três siglas concentram cerca de 40,8% de todo o Fundo Eleitoral.

Quando PSD e PP entram na conta, os cinco maiores partidos passam a deter mais da metade dos recursos, segundo levantamento que aponta 57,6% do total nas mãos das cinco maiores legendas. O PP isoladamente recebe cerca de R$ 417 milhões.

No outro extremo da tabela está o Missão, partido mais recente do país, que fica com a cota mínima garantida por lei — pouco mais de R$ 3,3 milhões, destinados a candidaturas a deputado federal.

Federações partidárias mudam o jogo

Um fator que altera significativamente o panorama de 2026 é o peso das federações partidárias, alianças formais entre siglas que atuam como um único partido no Congresso e concentram os recursos do fundo. A mais recente delas, aprovada pelo TSE em março, uniu PP e União Brasil na chamada Federação União Progressista, que soma cerca de R$ 943,3 milhões — valor que ultrapassa isoladamente o do PL.

Outras federações também engordam o caixa de campanha de seus integrantes. A Federação Brasil da Esperança, que reúne PT, PCdoB e PV, alcança R$ 721,1 milhões. Já as uniões entre PSDB e Cidadania, e entre PSOL e Rede, somam respectivamente R$ 208,1 milhões e R$ 167,3 milhões. Ao todo, as cinco federações registradas no TSE concentram aproximadamente R$ 2,2 bilhões do fundo, o equivalente a cerca de 44% de todo o valor distribuído.

Critérios de divisão

A repartição dos recursos entre as legendas segue regra fixada por resolução do TSE de 2019: 2% do total são divididos igualmente entre todos os partidos com estatuto registrado no Tribunal; 35% são distribuídos proporcionalmente aos votos obtidos pelas legendas na eleição de 2022 para a Câmara dos Deputados; 48% seguem o número de deputados federais eleitos; e os 15% restantes são repartidos conforme a representação de cada partido no Senado. Como a base de cálculo usa o resultado do pleito anterior, a apuração de 2026 considera os números das eleições gerais de 2022, com retotalizações até junho deste ano.

Uma verba que só cresce

O valor do Fundo Eleitoral tem disparado a cada eleição. Para 2026, o Congresso deu um empurrão adicional: em setembro de 2025, a Comissão Mista de Orçamento aprovou instrução normativa que multiplicou por cinco a proposta original do Executivo, que previa cerca de R$ 1 bilhão para o fundão. O relator da matéria, deputado Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL), justificou a mudança como uma correção necessária para equiparar o fundo ao patamar de eleições anteriores.

Somado ao Fundo Partidário — que bancará outros R$ 1,4 bilhão previstos na Lei Orçamentária de 2026 e serve para despesas de manutenção das siglas, como salários e aluguéis —, o total de dinheiro público à disposição dos partidos neste ano ultrapassa R$ 6,3 bilhões.

Já a distribuição interna de cada fatia — ou seja, quais candidatos dentro do partido vão receber quanto — fica a critério da cúpula de cada legenda, com uma única exigência do TSE: destinar ao menos 30% da verba a candidaturas femininas.


Os valores oficiais completos, partido por partido, estão disponíveis na página do TSE dedicada às Eleições 2026.

PartidoFundo Eleitoral
PL R$ 881 milhões 
PT R$ 615 milhões 
União Brasil R$ 526 milhões 
PSD R$ 421 milhões 
PP R$ 417 milhões 
MDB R$ 400 milhões 
Republicanos R$ 348 milhões 
Podemos R$ 246 milhões 
PDT R$ 169 milhões 
PSB R$ 152 milhões 
PSDB R$ 147 milhões 
Psol R$ 131 milhões 
Solidariedade R$ 88 milhões 
Avante R$ 72 milhões 
PRD R$ 71 milhões 
PC do B R$ 60 milhões 
Cidadania R$ 60 milhões 
PVR$ 45 milhões 
Rede R$ 35 milhões 
Novo R$ 37 milhões 
Unidade PopularR$ 3,3 milhões
PSTUR$ 3,3 milhões
PRTBR$ 3,3 milhões
PCOR$ 3,3 milhões
PCBR$ 3,3 milhões
MobilizaR$ 3,3 milhões
MissãoR$ 3,3 milhões
DemocrataR$ 3,3 milhões
DCR$ 3,3 milhões
AgirR$ 3,3 milhões
TotalR$ 4,9 bilhões

Com informações do TSE

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