TSE distribui R$ 4,96 bilhões entre 30 legendas para as eleições gerais deste ano — cinco maiores partidos ficam com mais da metade da verba pública
PL recebe R$ 881,7 milhões e lidera ranking; federação entre PP e União Brasil supera valor isolado do partido de Bolsonaro
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou os valores do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) — o chamado Fundo Eleitoral — que cada uma das 30 legendas registradas na Justiça Eleitoral vai receber para bancar as campanhas das eleições gerais de 2026. Ao todo, cerca de R$ 4,9 bilhões serão repartidos entre os partidos, conforme os critérios definidos pela legislação eleitoral, em valor mais preciso de R$ 4.961.519.777,00.
Como empresas estão proibidas de doar para campanhas desde 2015, o Fundo Eleitoral — abastecido inteiramente com dinheiro público do Orçamento da União — tornou-se uma das principais fontes de financiamento das disputas eleitorais no país. A distribuição entre as siglas segue critério de representatividade no Congresso: quanto maior a bancada, maior a fatia recebida.
Como fica a distribuição
O Partido Liberal (PL), legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro, é o maior beneficiado, com R$ 881,7 milhões — o correspondente a 17,77% de todo o fundo. Na sequência aparecem o Partido dos Trabalhadores (PT), com R$ 615,4 milhões, e o União Brasil, com R$ 526,2 milhões. Somadas, as três siglas concentram cerca de 40,8% de todo o Fundo Eleitoral.
Quando PSD e PP entram na conta, os cinco maiores partidos passam a deter mais da metade dos recursos, segundo levantamento que aponta 57,6% do total nas mãos das cinco maiores legendas. O PP isoladamente recebe cerca de R$ 417 milhões.
No outro extremo da tabela está o Missão, partido mais recente do país, que fica com a cota mínima garantida por lei — pouco mais de R$ 3,3 milhões, destinados a candidaturas a deputado federal.
Federações partidárias mudam o jogo
Um fator que altera significativamente o panorama de 2026 é o peso das federações partidárias, alianças formais entre siglas que atuam como um único partido no Congresso e concentram os recursos do fundo. A mais recente delas, aprovada pelo TSE em março, uniu PP e União Brasil na chamada Federação União Progressista, que soma cerca de R$ 943,3 milhões — valor que ultrapassa isoladamente o do PL.
Outras federações também engordam o caixa de campanha de seus integrantes. A Federação Brasil da Esperança, que reúne PT, PCdoB e PV, alcança R$ 721,1 milhões. Já as uniões entre PSDB e Cidadania, e entre PSOL e Rede, somam respectivamente R$ 208,1 milhões e R$ 167,3 milhões. Ao todo, as cinco federações registradas no TSE concentram aproximadamente R$ 2,2 bilhões do fundo, o equivalente a cerca de 44% de todo o valor distribuído.
Critérios de divisão
A repartição dos recursos entre as legendas segue regra fixada por resolução do TSE de 2019: 2% do total são divididos igualmente entre todos os partidos com estatuto registrado no Tribunal; 35% são distribuídos proporcionalmente aos votos obtidos pelas legendas na eleição de 2022 para a Câmara dos Deputados; 48% seguem o número de deputados federais eleitos; e os 15% restantes são repartidos conforme a representação de cada partido no Senado. Como a base de cálculo usa o resultado do pleito anterior, a apuração de 2026 considera os números das eleições gerais de 2022, com retotalizações até junho deste ano.
Uma verba que só cresce
O valor do Fundo Eleitoral tem disparado a cada eleição. Para 2026, o Congresso deu um empurrão adicional: em setembro de 2025, a Comissão Mista de Orçamento aprovou instrução normativa que multiplicou por cinco a proposta original do Executivo, que previa cerca de R$ 1 bilhão para o fundão. O relator da matéria, deputado Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL), justificou a mudança como uma correção necessária para equiparar o fundo ao patamar de eleições anteriores.
Somado ao Fundo Partidário — que bancará outros R$ 1,4 bilhão previstos na Lei Orçamentária de 2026 e serve para despesas de manutenção das siglas, como salários e aluguéis —, o total de dinheiro público à disposição dos partidos neste ano ultrapassa R$ 6,3 bilhões.
Já a distribuição interna de cada fatia — ou seja, quais candidatos dentro do partido vão receber quanto — fica a critério da cúpula de cada legenda, com uma única exigência do TSE: destinar ao menos 30% da verba a candidaturas femininas.
Os valores oficiais completos, partido por partido, estão disponíveis na página do TSE dedicada às Eleições 2026.
| Partido | Fundo Eleitoral |
| PL | R$ 881 milhões |
| PT | R$ 615 milhões |
| União Brasil | R$ 526 milhões |
| PSD | R$ 421 milhões |
| PP | R$ 417 milhões |
| MDB | R$ 400 milhões |
| Republicanos | R$ 348 milhões |
| Podemos | R$ 246 milhões |
| PDT | R$ 169 milhões |
| PSB | R$ 152 milhões |
| PSDB | R$ 147 milhões |
| Psol | R$ 131 milhões |
| Solidariedade | R$ 88 milhões |
| Avante | R$ 72 milhões |
| PRD | R$ 71 milhões |
| PC do B | R$ 60 milhões |
| Cidadania | R$ 60 milhões |
| PV | R$ 45 milhões |
| Rede | R$ 35 milhões |
| Novo | R$ 37 milhões |
| Unidade Popular | R$ 3,3 milhões |
| PSTU | R$ 3,3 milhões |
| PRTB | R$ 3,3 milhões |
| PCO | R$ 3,3 milhões |
| PCB | R$ 3,3 milhões |
| Mobiliza | R$ 3,3 milhões |
| Missão | R$ 3,3 milhões |
| Democrata | R$ 3,3 milhões |
| DC | R$ 3,3 milhões |
| Agir | R$ 3,3 milhões |
| Total | R$ 4,9 bilhões |
Com informações do TSE