Governo lança painel para monitorar agrotóxicos em recursos hídricos

O governo federal lançou hoje um painel de monitoramento de agrotóxicos nos recursos hídricos, com dados coletados nas diversas bacias hidrográficas do país. A iniciativa visa identificar e mostrar o grau de presença desses pesticidas na vida aquática.

O painel fornece informações sobre a quantidade de pontos de monitoramento em todos os estados brasileiros, o número de agrotóxicos rastreados, percentuais de detecção e outros detalhes. Segundo o governo, o objetivo é ampliar a transparência, fortalecer o debate e auxiliar na construção de políticas públicas, além de identificar riscos e orientar ações preventivas.

Durante o lançamento, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, destacou que os agrotóxicos são um dos grandes desafios ambientais e sanitários, impactando organismos aquáticos, polinizadores, o solo e os seres humanos, especialmente quando há uso inadequado ou excesso de aplicação.

Capobianco afirmou que o Brasil, como potência agrícola global, deve buscar competitividade e sustentabilidade de forma conjunta, protegendo as águas, bioinsumos, territórios e a saúde humana. O painel foi desenvolvido no âmbito do Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara) pelo Ministério do Meio Ambiente e baseia-se no monitoramento realizado pela Embrapa.

Após uma década de mobilização de pesquisadores e movimentos sociais, o Pronara busca reduzir riscos e fortalecer a agroecologia. Atualmente, 49 tipos de agrotóxicos são monitorados, mas esse número deve crescer. O painel também traz informações sobre a representatividade agrícola e a vulnerabilidade ambiental das bacias monitoradas.

Os dados iniciais mostram que foram realizadas mais de 10 mil análises de agrotóxicos, com uma frequência de detecção de 7,2%. O S-Metolacloro foi o agrotóxico mais detectado, aparecendo em 69,48% das análises. Antes do painel, as informações estavam fragmentadas, dificultando a tomada de decisão por gestores e agentes públicos.

Capobianco ressaltou que a nova plataforma pública de transparência permitirá acompanhar tendências, identificar riscos e orientar ações preventivas e corretivas.

Fonte: Agência Brasil

Leia mais