Inédito: Brasil cai na 1ª fase da Liga das Nações de vôlei masculino


A seleção masculina de vôlei está fora da fase final da Liga das Nações pela primeira vez desde a criação do torneio, em 2018. Neste domingo (19), em Chicago (Estados Unidos), o Brasil superou a China por 3 sets a 0, parciais de 25/16, 25/20 e 25/21. O triunfo, porém, foi insuficiente para classificar o time comandado por Bernardinho.

Os brasileiros foram a quadra sabendo que já não tinham mais chances de ficar entre os sete primeiros da primeira fase. Após a derrota da última sexta-feira (17) para a Polônia, a equipe verde e amarela dependia de um revés da Bulgária para os Estados Unidos na noite de sábado (18). Também em Chicago, os búlgaros venceram por 3 a 1 e anteciparam a eliminação do Brasil.

Antes da queda precoce de 2026, as piores campanhas da seleção masculina na competição foram as eliminações nas quartas de final em 2022, 2023 e 2024. Em todas as outras edições, o Brasil alcançou pelo menos as semifinais. O único título brasileiro no torneio foi em 2021.

Pelo regulamento da Liga das Nações, vitórias por 3 sets a 0 ou 3 a 1 valem três pontos. Se o triunfo for por 3 a 2, a equipe vencedora faz dois pontos e a que perde soma um ponto.

Ao ganhar por 3 a 0 da China, o Brasil chegou a 19 pontos na classificação da Liga das Nações, atingindo apenas o nono lugar. A Ucrânia, sétima colocada e última seleção na zona de classificação às quartas de final, tem 23 pontos. São três de vantagem para a Bulgária, que ainda joga neste domingo e se igualar aos ucranianos.

O ponteiro Adriano, com 13 pontos, sendo três de saque, foi o melhor jogador do Brasil neste domingo. O central Flávio (12 pontos) e o oposto Darlan (11) também se destacaram. Do lado chinês, o ponteiro Bin Wang, com 10 pontos, foi o único a chegar aos dois dígitos na pontuação.

Apesar de ocupar o último lugar da primeira fase, com apenas um triunfo, a China estará nas quartas de final por ser o país-sede – os jogos, marcados para ocorrer entre 29 de julho e 2 de agosto, serão na cidade de Ningbo. A Polônia é a atual campeã.

A eliminação inédita na fase classificatória da Liga das Nações se soma a um conjunto de resultados que apontam para um ciclo de declínio competitivo da seleção masculina: queda na primeira fase do Mundial das Filipinas em 2025 e pior desempenho olímpico desde 1972 em Paris-2024, quando o time terminou apenas em 8º lugar. Em paralelo, o Brasil, que por anos liderou o ranking mundial, aparece hoje atrás de potências como Polônia, França e Estados Unidos na lista da FIVB, ocupando posição fora do topo que tradicionalmente lhe pertencia. Esse conjunto de sinais indica não um tropeço pontual, mas uma perda de protagonismo estrutural no cenário internacional.

Do ponto de vista socioeconômico, esse recuo esportivo tende a afetar diretamente o ecossistema do vôlei brasileiro: títulos e campanhas consistentes são decisivos para manter audiências de TV, atrair patrocínios de grande porte e justificar investimentos em categorias de base e infraestrutura. A Liga das Nações, por ser vitrine anual de alto nível, costuma influenciar contratos de atletas com clubes europeus e asiáticos, além de pautar estratégias de marketing das federações nacionais. Uma presença menos constante nas fases finais reduz exposição global da marca “vôlei brasileiro”, fragilizando a capacidade da modalidade de competir por recursos num mercado esportivo cada vez mais concentrado em poucos produtos de elite.

Este conteúdo baseia-se na reportagem original da Agência Brasil e inclui informações e perspectivas adicionais. Link para reportagem original.

Fonte: Agência Brasil

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