O reservatório de água da usina de Itaipu, na fronteira do Brasil com o Paraguai, possui cerca de 1,3 mil quilômetros quadrados de perímetro. Desde o fim do ano passado, técnicos brasileiros e paraguaios estudam a instalação de painéis solares sobre o espelho d’água para gerar eletricidade.
Foram instalados 1.584 painéis fotovoltaicos em uma área de menos de 10 mil metros quadrados no lado paraguaio do lago. A planta solar de Itaipu tem capacidade de gerar 1 megawatt-pico, suficiente para o consumo de 650 casas, sendo utilizada apenas para consumo interno.
O projeto funciona como um laboratório de pesquisa para futuras aplicações comerciais, analisando a interação das placas com o ambiente e o desempenho dos painéis. A ideia é expandir a geração de energia elétrica, o que exigiria atualizações no Tratado de Itaipu.
Estimativas indicam que seriam necessários pelo menos quatro anos para atingir uma geração solar de 3 mil megawatts. O investimento é de US$ 854,5 mil, realizado por um consórcio binacional das empresas Sunlution e Luxacril.
Além da energia solar, Itaipu investe em hidrogênio verde e baterias no Itaipu Parquetec, um ecossistema de inovação criado em 2003. O hidrogênio verde, obtido sem emissão de CO₂, serve como insumo sustentável para diversas indústrias e como combustível.
O Centro Avançado de Tecnologia de Hidrogênio desenvolve projetos-piloto, como um barco movido a hidrogênio para coleta seletiva em comunidades ribeirinhas, apresentado na COP30. Outro destaque é um centro de gestão energética para desenvolvimento de baterias.
Itaipu também aposta na geração de biogás a partir de resíduos orgânicos. A Unidade de Demonstração de Biocombustíveis transforma esses materiais em biometano, utilizado para abastecer veículos da usina.
Em quase nove anos, foram processadas mais de 720 toneladas de resíduos, gerando biometano suficiente para percorrer 480 mil quilômetros. A planta desenvolve experimentalmente o bio-syncrude, usado na produção de Combustível Sustentável de Aviação.
Daiana Gotardo, diretora técnica do CIBiogás, destaca que combustíveis avançados como hidrogênio e SAF são assuntos do momento, impulsionados pela nova lei de combustíveis futuro.
