Se você acompanha política internacional, provavelmente conhece esse rosto.

John Oliver, apresentador do Last Week Tonight, um dos programas de sátira política mais conhecidos da televisão americana, dedicou cerca de 25 minutos do seu último programa a um assunto bastante específico: as eleições brasileiras.
E o tom foi pesado.
Oliver apresentou ao público americano um resumo do que aconteceu no Brasil desde a eleição de 2022 e comparou vários episódios da política brasileira com acontecimentos recentes dos Estados Unidos.
Ele lembrou a derrota de Jair Bolsonaro para Lula, os ataques de 8 de janeiro em Brasília e traçou um paralelo com a invasão do Capitólio americano, em 6 de janeiro de 2021.
Também falou sobre Donald Trump e sobre a atuação do presidente americano em defesa de Bolsonaro, incluindo as pressões exercidas contra o Brasil durante o julgamento do ex-presidente.
Mas boa parte do programa foi dedicada à disputa atual entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Sobre Lula, Oliver fez o que costuma fazer: misturou crítica política com humor. Comparou o presidente brasileiro a Joe Biden, falou sobre sua idade e ironizou os vídeos em que Lula aparece se exercitando nas redes sociais.
Quando chegou a Flávio Bolsonaro, porém, o tom ficou mais duro.
Oliver argumentou que Flávio tenta se apresentar ao eleitor como uma versão mais jovem e moderada do pai, mas questionou até que ponto existe realmente um rompimento com o bolsonarismo de Jair Bolsonaro.
O programa mencionou declarações anteriores de Flávio, sua defesa da ditadura militar e sua aproximação com lideranças internacionais da direita, como Benjamin Netanyahu e Javier Milei.
E dedicou atenção especial a outro episódio que já vem provocando repercussão no Brasil: a controvérsia envolvendo o financiamento do filme Dark Horse, produção protagonizada por Jim Caviezel que retrata Jair Bolsonaro como vítima de uma conspiração das elites.
Segundo Oliver, o filme teria também uma função política de reconstrução da imagem do ex-presidente — interpretação apresentada pelo próprio programa — justamente em um momento em que Flávio disputa a Presidência.
No encerramento, John Oliver deixou pouca dúvida sobre sua própria posição política.
Ele afirmou esperar que a mensagem de Lula consiga mais apoio nas urnas do que aquilo que classificou como o “alarmismo” de Flávio Bolsonaro e seus “flagrantes problemas com o pai”.
Independentemente de concordar ou não com John Oliver, existe um aspecto interessante nessa história:
a eleição brasileira deixou de ser observada apenas como uma questão doméstica.
A disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro chegou ao horário nobre da sátira política americana e está sendo apresentada ao público dos Estados Unidos a partir de paralelos com Trump, Biden, o 6 de Janeiro e a própria crise política americana.
E talvez seja justamente isso que torne esse episódio tão interessante: observar como a política brasileira está sendo enxergada de fora do Brasil, a poucos dias da eleição. Assista amostra legendado em PT-BR.
Créditos: Emissora original / Streaming: HBO / Max (link para vídeo completo em inglês)