Um levantamento realizado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) apontou que, no primeiro trimestre de 2026, entre os 32,9 milhões de jovens de 14 a 24 anos, 13,9 milhões estavam ocupados, enquanto 6,2 milhões estavam fora da escola e do trabalho, pertencendo ao grupo conhecido como ‘nem-nem’.
Os dados são do Diagnóstico da Juventude Brasileira, que utilizou informações do IBGE/PNAD Contínua, MTE/RAIS e eSocial. Apesar de 13,9 milhões de jovens estarem empregados, mais da metade dos adolescentes que trabalham permanecem menos de um ano no mesmo emprego. Aqueles que apenas estudam somam 12,8 milhões, os que só trabalham são 9,6 milhões e 4,3 milhões conciliam estudo e trabalho.
A subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho do MT, Paula Montagner, destacou a importância de trazer jovens de volta à escola, mesmo que precisem trabalhar para se sustentar. A participação dos jovens de 14 a 17 anos na força de trabalho é de 15,6%, indicando que mais estão estudando. Já entre 18 e 24 anos, a participação é de 68,7%, ainda abaixo dos níveis pré-pandemia.
Segundo a pesquisa, os jovens estão mais escolarizados, utilizando o diploma como porta de entrada no mercado. O desafio é transformar essa escolaridade em trabalho qualificado e bem remunerado. Pelo menos 73% têm o ensino médio completo, 2,3 milhões frequentam o ensino superior e 944 mil já concluíram essa etapa.
O desemprego entre jovens caiu, mas ainda há necessidade de mais oportunidades. No primeiro trimestre, 25,1% dos adolescentes de 14 a 17 anos estavam desempregados, enquanto a taxa entre 18 e 24 anos era de 13,8%, superior à média nacional de 5,8%.
A formalização do emprego entre jovens foi de 57,8%, com 8 milhões de vínculos formais entre 14 e 24 anos. Mais da metade dos jovens ocupados têm carteira assinada. A subsecretária destacou que os jovens buscam diálogo e flexibilidade no trabalho, em vez de apenas rejeitar o regime celetista.
As ocupações que mais empregam jovens incluem balconistas, vendedores, escriturários gerais, auxiliares de construção, recepcionistas e caixas. Cerca de 59% dos jovens estão nas 20 maiores ocupações, com muitos atuando em escrituração ou vendas. A baixa permanência no emprego é um desafio, com 52% dos adolescentes de 14 a 17 anos e 38,2% dos jovens de 18 a 24 anos permanecendo menos de um ano no emprego.
Paula Montagner enfatizou a necessidade de investir na formação dos jovens, dedicando tempo para explicar, supervisionar e ajudar na compreensão das tarefas, visando uma melhor integração no mercado de trabalho.
