Advogada, esposa do deputado Cabo Gilberto (PL) e ex-candidata a vice-governadora publicou mensagem dizendo que não ajudaria quem votou no presidente reeleito; ela recebeu R$ 4.950 do Auxílio Emergencial durante a pandemia
A advogada Nayana Pontes (PL), esposa do deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL-PB), e ex-candidata a vice-governadora na chapa de Efraim Filho, publicou mensagens direcionadas a eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva após o segundo turno das eleições presidenciais. As declarações repercutiram nas redes sociais pelo tom de insulto com os paraibanos que escolheram a candidatura petista. Seu marido, o deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL-PB), registre-se, foi eleito o deputado federal mais votado da Paraíba no domingo (4) de outubro, com 267.142 votos.

Em uma das mensagens, Nayana escreveu: “Aviso a quem fez o L. Nesses próximos quatro anos, não me peça ajuda, não me peça emprego, não me peça para comprar rifa, não me peça dinheiro emprestado”. Em outra publicação, chamou a Paraíba de “estado miserável”. Após a repercussão negativa, afirmou que se referia ao estado, e não aos paraibanos.
O resultado eleitoral ajuda a dimensionar o alcance da declaração: Lula venceu nos 223 municípios da Paraíba no segundo turno. O caso também teve repercusão nacional em reportagem publicada pelo Portal Pragmatismo Político, que também relatou as críticas recebidas pela advogada após as publicações. Leia a reportagem.

Auxílio Emergencial durante a pandemia
Fato curioso levantado pelo Pragmatismo é que Nayana Pontes Pereira Gomes recebeu R$ 4.950 em parcelas do Auxílio Emergencial entre maio de 2020 e outubro de 2021, período em que o benefício era destinado a pessoas em situação de vulnerabilidade econômica durante a pandemia de Covid-19.
Destaque-se que o recebimento do auxílio, por si só, não comprova irregularidade. O benefício foi criado para atender pessoas que, à época, preenchiam os critérios legais. A informação ganha relevância pelo fato de que políticos e eleitores do campo da direita costumam ser ferrenhos críticos de programas sociais recebidos por pessoas de baixa renda. O ex-candidato à Presidência da República pelo PL que fugiu do país após a derrota eleitoral no último domingo, 25, o senador Flávio Bolsonaro, chegou a chamar o Bolsa Família de “bolsa-farelo” em posts que foram posteriormente apagados, e ainda disse que o ‘PT perpetua pobreza’.
A grandeza e os enormes avanços da Paraíba exigem respeito à escolha dos eleitores
A manifestação de Nayana se soma a uma onda de declarações hostis dirigidas a pessoas que votaram no presidente reeleito. A crítica política é legítima e faz parte da democracia. O problema surge quando a discordância é transformada em incitação do ódio direcionado a uma população inteira ou em ameaça de negar ajuda, oportunidades e relações de solidariedade por causa do voto.
Chamar a Paraíba de “estado miserável” merece dura repreensão: a expressão reduz um povo inteiro a um estereótipo e apaga sua história e suas conquistas. É verdade que o estado ainda enfrenta desigualdades profundas, que precisam ser reconhecidas e combatidas, mas também registrou avanços importantes principalmente durante a gestão do ex-governador e atual senador João Azevêdo (PSB). Em 2025, o Estado criou 31 mil empregos formais e teve o segundo maior crescimento proporcional do país, com alta de 6,03% no estoque de empregos. Na área fiscal, recebeu por cinco anos consecutivos a classificação CAPAG A do Tesouro Nacional, indicador que avalia endividamento, poupança corrente e liquidez dos estados. A Paraíba também se destacou no crescimento econômico: estimativa da Resenha Regional do Banco do Brasil apontou alta de 6,6% para o PIB estadual em 2024, ante 3,5% para o país e 3,8% para o Nordeste. Foi o maior crescimento entre os estados naquele levantamento.
A gestão também implantou programas sociais como o Tá na Mesa, que amplia o acesso a refeições a baixo custo em municípios paraibanos adquiradas com insumos da agricultura familiar, e o Opera Paraíba, voltado à realização de cirurgias eletivas que conseguiu zerar o que o governador chamou de ‘a fila da vergonha’. O presidente Lula já elogiou o Tá na Mesa e, durante a campanha de 2022, defendeu seu fortalecimento e a possibilidade de levar iniciativas de segurança alimentar semelhantes a todo o país.
A Paraíba também se projeta na ciência e na tecnologia. Em João Pessoa, está em implantação o Centro Internacional de Computação Quântica, que abrigará os primeiros computadores quânticos operacionais do Brasil, além da formação de pesquisadores. Essa tecnologia pode ajudar a enfrentar problemas complexos em áreas como ciência, indústria e medicina, além de ampliar a capacidade de pesquisa e inovação no país como um todo.


Campina Grande, por sua vez, consolidou um importante ambiente de pesquisa, inovação e empreendedorismo tecnológico, com participação da Universidade Federal de Campina Grande e do Parque Tecnológico da Paraíba, instituição criada com a participação da UFPB, do CNPq e do Governo do Estado.
Outro projeto de grande porte é a parceria internacional firmada pelo Governo da Paraíba com instituições chinesas para desenvolver pesquisas em computação quântica e radioastronomia. A iniciativa prevê cooperação científica e um laboratório conjunto com participação da UFPB e da UFCG, além de buscar ampliar as pesquisas relacionadas ao radiotelescópio BINGO, instalado no Sertão paraibano. É um projeto em desenvolvimento, mas que já coloca universidades e pesquisadores do estado em uma rede internacional de ciência e inovação.

A grandeza paraibana também está na cultura e no pensamento que o estado ofereceu ao Brasil: Augusto dos Anjos, José Lins do Rêgo, José Américo de Almeida, Ariano Suassuna e Celso Furtado, para citar o mínimo. Poetas, romancistas, dramaturgos e intelectuais que ajudaram a interpretar o país e cuja obra ultrapassou as fronteiras estaduais. A Paraíba tem problemas que exigem ação pública sim, mas não cabe em um insulto: é também terra de trabalho, conhecimento, criação e contribuição decisiva à vida brasileira.
A eleição não termina quando a apuração é concluída. A democracia que foi exercida através do voto exige que candidatos, lideranças e cidadãos convivam com o resultado, respeitem a decisão dos eleitores e continuem defendendo suas posições sem transformar adversários políticos em inimigos.
Da Redação | Portal NegoPB