Operação Compliance Zero abala confiança no BRB e gera crise institucional

A Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025, revelou um esquema de fraudes financeiras envolvendo os bancos de Brasília (BRB) e Master. A ação atingiu a confiança, o ativo mais valioso da instituição pública do Distrito Federal, impactando o cotidiano dos quase 5 mil empregados do BRB.

Daniel Oliveira, diretor do Sindicato dos Bancários do Distrito Federal, afirmou que tanto a sociedade quanto os trabalhadores estão arcando com as consequências de uma decisão política de salvar o Master. Segundo ele, o sindicato tem recebido relatos de um ambiente mais estressante, especialmente para os funcionários que precisam prestar depoimentos à Polícia Federal e a auditores.

Esses funcionários, principalmente analistas de áreas que participaram de negociações com o Master, estão sob pressão para fornecer informações que possam auxiliar nas investigações. As negociações resultaram na tentativa de aquisição de bilhões em créditos do banco de Daniel Vorcaro, preso desde março. O Banco Central rejeitou a compra do Master pelo BRB e determinou a liquidação extrajudicial do banco privado.

A crise gerou tensão entre funcionários concursados, terceirizados e estagiários, resultando em uma crise institucional sem precedentes na história do banco, fundado em 1964. Após a operação da PF, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado por suspeitas de irregularidades, levando muitos clientes a buscarem informações sobre a solidez do banco.

Os funcionários estão sendo desafiados a convencer os clientes a manterem suas aplicações, apesar das incertezas. A situação é agravada pela falta de respostas e pela apreensão dos próprios trabalhadores quanto ao futuro de seus empregos.

A Previdência BRB tenta tranquilizar os cerca de 3 mil aposentados do banco, afirmando que os planos de saúde e de previdência complementar são autônomos e possuem um patrimônio de mais de R$ 4,39 bilhões. O BRB, com mais de 60 anos de história, também destaca seus R$ 80 bilhões em ativos para sugerir que pode absorver eventuais prejuízos.

No entanto, as incertezas e a falta de informações claras levaram a agência de classificação Moody’s a rebaixar a nota do BRB. O banco, que ainda não divulgou o balanço de 2025, enfrenta dificuldades para honrar compromissos, segundo a Moody’s.

O novo presidente do BRB, Nelson de Souza, não compareceu a uma reunião da Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa do Distrito Federal para discutir a crise, o que irritou os deputados distritais. A ausência foi justificada pela necessidade de aguardar a conclusão das auditorias contratadas pelo banco.

A governadora Celina Leão afirmou que o BRB não vai quebrar e que uma solução para a crise será apresentada em até 30 dias. Ela também comentou a prisão preventiva de Paulo Henrique Costa, afirmando que todas as providências cabíveis foram adotadas com total colaboração junto às autoridades competentes.

Fonte: Agência Brasil

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