Após a apresentação oficial realizada nesta segunda-feira (25), em João Pessoa, a pesquisa inédita “O Custo da Exclusão LGBTI+” reforçou a importância da construção de políticas públicas voltadas à inclusão, cidadania e enfrentamento da LGBTfobia. O evento foi promovido pelo Governo da Paraíba, por meio da Secretaria das Mulheres e da Diversidade Humana da Paraíba, em parceria com o Banco Mundial e o Instituto Matizes, reunindo representantes do poder público, movimentos sociais, pesquisadores e instituições parceiras no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Paraíba.
Realizada em 2025, a pesquisa ouviu mais de 11 mil pessoas em todo o país e teve a Paraíba como um dos estados de referência para aplicação do levantamento, a partir da atuação dos Centros de Referência LGBT de João Pessoa e Campina Grande.
De acordo com a secretária das Mulheres e da Diversidade Humana, Vanda Menezes, o reconhecimento da Paraíba pelo Banco Mundial demonstra a consolidação das políticas públicas desenvolvidas pelo estado. “A escolha da Paraíba para integrar a aplicação da pesquisa demonstra o reconhecimento do trabalho desenvolvido nos Centros de Referência LGBT de João Pessoa e Campina Grande, que se consolidaram como experiências importantes de acolhimento, cidadania e garantia de direitos para a população LGBTI+”, afirmou.
O estudo revelou que a exclusão da população LGBTI+ do mercado de trabalho gera um prejuízo estimado em R$ 94,4 bilhões anuais ao Brasil, valor correspondente a cerca de 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB). A pesquisa também aponta perdas fiscais de R$ 14,6 bilhões por ano, resultado da redução da arrecadação tributária e do aumento da demanda por políticas públicas diante das desigualdades enfrentadas pela população LGBTI+.
A gerente operacional de Direitos LGBT da Secretaria das Mulheres e da Diversidade Humana, Laura Brasil, destacou a relevância da pesquisa para fortalecer o debate público e subsidiar novas ações de enfrentamento das desigualdades. “Essa pesquisa é fundamental porque apresenta dados concretos sobre os impactos da LGBTfobia não apenas na vida das pessoas, mas também na economia e no desenvolvimento social do país. A parceria com o Governo da Paraíba fortalece a construção de políticas públicas baseadas em evidências e amplia a visibilidade das demandas da população LGBTI+”, ressaltou.
A especialista em Desenvolvimento Social do Banco Mundial, Mariah Rafaela Cordeiro Gonzaga da Silva, enfatizou que os dados apresentados demonstram como a discriminação impacta diretamente o desenvolvimento econômico e social do país. “Os resultados da pesquisa mostram que promover inclusão e garantir direitos também é uma estratégia de desenvolvimento econômico. Combater a LGBTfobia significa ampliar oportunidades, fortalecer a participação social e reduzir desigualdades que afetam não apenas indivíduos, mas toda a sociedade”, destacou.
O coordenador de pesquisas do Instituto Matizes, Samuel Araújo, ressaltou a dimensão inédita do estudo e a importância da produção de dados para orientar políticas públicas. “Essa é a primeira pesquisa nacional que busca mensurar de forma concreta os impactos econômicos e fiscais da LGBTfobia no Brasil. Produzir dados sobre a realidade da população LGBTI+ é fundamental para orientar políticas públicas mais eficientes e evidenciar como a exclusão social afeta o desenvolvimento do país”, afirmou.
Durante o evento, foram debatidos os impactos da discriminação no acesso ao mercado de trabalho, na renda e nas condições de permanência profissional da população LGBTI+. Os dados mostram que a taxa de desemprego entre pessoas LGBTI+ chega a 15,2%, quase o dobro da média nacional. Entre pessoas trans, não-binárias e intersexo, os índices de exclusão e discriminação são ainda mais elevados.
A apresentação da pesquisa também reforçou a necessidade de fortalecer políticas públicas intersetoriais voltadas à promoção dos direitos humanos, inclusão produtiva e combate à violência e à discriminação contra a população LGBTI+ na Paraíba e em todo o Brasil.
