Sete em cada dez brasileiros com diabetes afirmam que a doença afeta significativamente o bem-estar emocional. Além disso, 78% relatam ansiedade ou preocupação com o futuro, e dois em cada cinco pacientes se sentem sós ou isolados devido à condição.
Os dados são de uma pesquisa realizada pelo Global Wellness Institute (GWI), em parceria com a Roche Diagnóstica, que explorou percepções sobre o diabetes, a vida com a doença e as ferramentas de manejo. O estudo, conduzido em setembro de 2025, abrangeu 4.326 pessoas com diabetes em 22 países, incluindo Brasil, Austrália, Áustria, Bélgica, Chile, entre outros.
No grupo de pacientes com diabetes tipo 1, 77% afirmam que a doença impacta significativamente seu bem-estar emocional. O Brasil ocupa a sexta posição mundial em casos de diabetes, com 16,6 milhões de adultos diagnosticados, segundo o Atlas Global do Diabetes 2025 da International Diabetes Federation (IDF).
A pesquisa também revelou que 56% dos brasileiros entrevistados sentem que o diabetes limita sua capacidade de passar o dia fora de casa, e 46% enfrentam dificuldades em situações comuns, como trânsito ou reuniões longas. Além disso, 55% relatam não acordar plenamente descansados devido às variações glicêmicas noturnas.
A maioria dos pacientes não se sente atendida pelo modelo atual de cuidado, com apenas 35% se considerando confiantes no gerenciamento da própria condição. Em torno de 44% dos entrevistados defendem a priorização de tecnologias mais inteligentes para prever mudanças nos níveis de glicose.
Entre os pacientes que utilizam medidores tradicionais, 46% acreditam que sensores de monitoramento contínuo de glicose (CGM) deveriam ser adotados por sua capacidade de atuar como alertas preditivos. Cinquenta e três por cento dos entrevistados desejam que sensores com inteligência artificial prevejam níveis futuros de glicose, número que sobe para 68% entre os pacientes com diabetes tipo 1.
André Vianna, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), destacou a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento médico contínuo para evitar complicações. Ele enfatizou que o uso de tecnologias pode ser um diferencial, especialmente para pacientes com diabetes tipo 1, devido às oscilações glicêmicas frequentes.
No Brasil, sensores de monitoramento contínuo são difundidos entre pessoas de maior poder aquisitivo, mas ainda não estão amplamente disponíveis no sistema público de saúde. Em países ricos, esses dispositivos são oferecidos gratuitamente ou por meio de operadoras de saúde privadas.
Em janeiro de 2025, o Ministério da Saúde decidiu não incorporar o monitoramento contínuo da glicose ao Sistema Único de Saúde (SUS). Entretanto, um projeto de lei aprovado pela Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados propõe que o SUS forneça gratuitamente dispositivos de monitoramento de glicose. A proposta ainda será analisada por outras comissões antes de se tornar lei.
