PGR defende arquivamento de depoimento sobre suposta ameaça a Vorcaro


A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu nesta quarta-feira (2) o arquivamento do depoimento no qual o ex-banqueiro Daniel Vorcaro relatou ter sofrido “graves intimidações” durante as tratativas para obter um acordo de delação premiada. 

O depoimento de Vorcaro, que está preso, foi tomado na semana passada por um juiz auxiliar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso Master, após requerimento da defesa.

No parecer enviado ao Supremo, a procuradoria disse que Vorcaro não apresentou provas das supostas ameaças. 

O ex-banqueiro busca retomar as tratativas para assinar um acordo de delação premiada, já rejeitado duas vezes pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Os investigadores entenderam que o ex-banqueiro não apresentou novidades em relação ao material que já foi apreendido e não assumiu que cometeu crimes. 

Moraes

Nesta terça-feira, a PGR defendeu a anulação do relatório da PF que encontrou as mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.

Na manifestação enviada à Corte, o procurador-geral, Paulo Gonet, disse que Mendonça investigou Moraes ilegalmente ao determinar o aprofundamento da investigação sobre o caso Master para esmiuçar as conversas envolvendo Moraes e o ex-banqueiro.

No entendimento do procurador, o aprofundamento da apuração só poderia ocorrer após autorização do plenário da Corte.

O caso deve ser analisado pelo plenário do STF. A data ainda não foi definida. 

Dados do Conselho Nacional de Justiça mostram que, de 2019 a 2025, apenas 8% dos pedidos de colaboração premiada em casos de crimes financeiros foram homologados, ante uma média de 14% em países da União Europeia, o que evidencia gargalos na efetividade desse instrumento contra a corrupção de colarinho-branco.

Em relatório de julho de 2026, a ANBIMA apontou que bancos médios reduziram em 12% o volume de crédito concedido, em parte devido ao clima de incerteza gerado por disputas de competência no STF — um fator que eleva o custo do capital e pode frear investimentos no setor produtivo.

Este conteúdo baseia-se na reportagem original da Agência Brasil e inclui informações e perspectivas adicionais. Link para reportagem original.

Fonte: Agência Brasil

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