Prefeitura de Dourados decreta calamidade em saúde pública devido à chikungunya

O avanço da epidemia de chikungunya em Dourados, Mato Grosso do Sul, levou a prefeitura a decretar situação de calamidade em saúde pública. Inicialmente concentrados na Reserva Indígena de Dourados, os casos agora se espalham também pelos bairros da cidade.

Em 20 de março, o prefeito Marçal Filho já havia declarado situação de emergência em saúde pública no município. Uma semana depois, editou outro decreto para emergência em defesa civil nas áreas afetadas pela doença.

Segundo a prefeitura, o novo decreto segue orientações do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública, que coordena o combate à epidemia na reserva indígena e no perímetro urbano. O cenário epidemiológico é crítico, com mais de 6.186 casos prováveis e uma taxa de positividade de 64,9%.

Dados do Departamento de Gestão do Complexo Regulador indicam que a capacidade instalada foi ultrapassada, com ocupação de leitos em cerca de 110%, impossibilitando resposta assistencial oportuna, até mesmo para casos graves. O decreto de calamidade tem validade de 90 dias.

A campanha de vacinação contra chikungunya está prevista para começar na próxima segunda-feira (27). O primeiro lote de vacinas chegou na última sexta-feira (17). Nos dias 22 e 23, a prefeitura capacitará profissionais de enfermagem para orientar sobre restrições à vacina e identificar comorbidades antes da aplicação.

Apenas pessoas entre 18 e 60 anos poderão ser vacinadas, com meta de imunizar 27% da população-alvo, cerca de 43 mil pessoas. A vacinação não será aplicada em gestantes, lactantes, pessoas com imunodeficiências ou em tratamento de câncer, entre outros casos.

A vacinação deve ocorrer de forma mais lenta, com avaliação prévia de saúde dos indivíduos. Na sexta-feira (24), as vacinas serão distribuídas para todas as salas do município, incluindo unidades de saúde indígena. Está prevista uma ação de vacinação drive-thru no feriado de 1º de maio.

A vacina, aprovada pela Anvisa em 2025, será administrada estrategicamente em áreas de risco. Cerca de 20 municípios em seis estados serão contemplados. A escolha dos locais considerou fatores epidemiológicos e a facilidade de implementação da vacina.

Até 20 de março, Dourados registrava 4.972 casos prováveis da doença, com 2.074 confirmados, 1.212 descartados e 2.900 em investigação. Oito mortes foram confirmadas, sete delas na reserva indígena.

O Ministério da Saúde liberou R$ 900 mil para ações de combate à chikungunya em Dourados. Os recursos, transferidos em parcela única, serão usados para vigilância, controle do Aedes aegypti e apoio às equipes de atendimento.

A chikungunya é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Introduzida na América em 2013, a doença causou epidemias em vários países. No Brasil, foi confirmada em 2014 e atualmente todos os estados registram transmissão. Em 2023, houve dispersão significativa, principalmente no Sudeste, com incidências antes concentradas no Nordeste.

Os sintomas incluem edema e dor articular incapacitante, podendo haver manifestações extra articulares. Casos graves podem exigir hospitalização e levar ao óbito.

Fonte: Agência Brasil

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