Primeira-dama Camila Mariz inicia visitas a artesãs que serão homenageadas no Salão do Artesanato e reafirma compromisso do Governo com segmento

Fotos: Daniel Medeiros

A primeira-dama do Estado e presidente de Honra do Programa do Artesanato Paraibano (PAP), Camila Mariz, iniciou, nesta terça-feira (28), a série de visitas técnicas às artesãs bonequeiras que vão ser homenageadas no 42° Salão do Artesanato, que será realizado no mês de junho em Campina Grande, de 11 de junho a 5 de julho, durante o Maior São João do Mundo, e terá como tema “Bonecas de Pano — Arte de viver. Vida de Brincar”. 
 
As visitas às artesãs homenageadas marcam o início oficial de um trabalho que já começa tão logo um Salão acaba — o evento é realizado em duas edições por ano: em janeiro, em João Pessoa; e, em junho, em Campina Grande — e servem para toda a equipe do PAP se aprofundar ainda mais no método das artesãs, para a campanha de marketing, por exemplo, e discutir a melhor forma de como ocorrerá a homenagem. 
 
A primeira artesã visitada pela primeira-dama Camila Mariz foi Walessa Daniele Barbosa Filgueiras, no Bairro de Gramame, em João Pessoa. Logo em seguida, Camila Mariz se dirigiu até Santa Rita, município da Região Metropolitana, onde, no bairro de Várzea Nova, conheceu o trabalho e a história de superação da artesã Josileide dos Santos Lima.
 
Na ocasião, a primeira-dama externou alegria por estar à frente de um trabalho que tem sido acompanhado por ela nos últimos anos. “Essas visitas que começamos hoje reafirmam o compromisso da gestão Lucas Ribeiro com o artesanato paraibano, um segmento que tem gerado renda e empoderado muitas mulheres. Esse é um trabalho que tenho acompanhado nos últimos anos ao lado da ex-primeira-dama Ana Maria Lins e estamos aqui para dizer que este Governo não medirá esforços para ir além, para aperfeiçoar ainda mais o que vem dando certo. E nada melhor para aprimorar uma política pública do que ouvir histórias de superação”, disse Camila Mariz. 
 
A presidente de Honra do PAP também destacou a importância dos encontros com as artesãs na realização do Salão do Artesanato. “Estar junto e conhecer as histórias dessas artesãs já seria muita coisa. Mas essas visitas vão ainda além, que é ouvir das artesãs a melhor forma de prestar a elas essa homenagem, fortalecendo aquilo que tem feito com que o artesanato paraibano evolua, que é o diálogo e a participação de todos”, completou, ainda, Camila. 
 
A secretária de Estado do Turismo e Desenvolvimento Econômico (Setde), Marianne Góes, observou que, ao homenagear as bonequeiras, o Governo fortalece ainda mais a divulgação do artesanato paraibano. “A gente fica muito feliz porque, a cada Salão do Artesanato, a gente vê uma tipologia diferente ser homenageada — e não tinha melhor tipologia para essa homenagem do que as bonequeiras, em pleno São João. Essa iniciativa da gestão do governador Lucas Ribeiro reforça a nossa identidade e o segmento artesanato como um todo. Essas visitas técnicas representam o que já vem acontecendo assim que acabou o Salão de janeiro, que é um trabalho feito a muitas mãos para fazer o maior evento da história durante o Maior São João do Mundo, gerando renda e qualidade de vida para os nossos artesãos”, observou.
 
A gestora do PAP, Marielza Rodriguez, disse que o grande objetivo da homenagem às artesãs bonequeiras é fazer com que o público que visita o Salão mergulhe na história de luta e de resistência de cada uma delas. “Essa homenagem é muito emblemática, porque traz a boneca como algo lúdico e memória afetiva da infância, mas também traz uma história muito ligada ao feminino, como a mulher que faz a boneca, que se vê na boneca e faz dela um símbolo — muitas vezes um símbolo de luta e de resistência. E a gente quer fazer com que as pessoas que forem ao Salão deem um mergulho nesse universo, que mostra a verdadeira história de cada uma dessas homenageadas”, 
comentou.
 
O Salão do Artesanato Paraibano é uma das iniciativas mais promissoras para os artesãos quando o assunto é geração de renda. Por isso, tanto a edição de janeiro, em João Pessoa, quanto a edição de junho, em Campina Grande, são realizadas num período intenso de fluxo de turistas. Na Capital, por conta das férias de início de ano; e, na Rainha da Borborema, por conta das festas juninas. 
 
A visita da primeira-dama Camila Mariz às artesãs homenageadas foi acompanhada, ainda, pela coordenadora de Capacitação do PAP, Yara Alencar, assim como por outros auxiliares do programa e da Setde.
 
Histórias de superação — No primeiro dia de visitas técnicas às artesãs bonequeiras, Camila Mariz conheceu talento, fortalecido com muita técnica, e histórias de superação e de resistência.
 
Como a da recifense Walessa Daniele Barbosa Filgueira, há 15 anos morando em João Pessoa. Avessa a holofotes, ganhar visibilidade foi uma notícia recebida com alegria, mas também com um pouco de medo. “Eu fui a primeira artesã a saber da notícia de que eu seria homenageada e fiquei muito feliz, mas também recebi a notícia com um pouco de medo, porque nunca curti exposição, mas sei da grande oportunidade que estou recebendo e quero superar esses sentimentos. A pouco mais de um mês do Salão, estou ansiosa, mas tenho certeza de que vai dar tudo certo”, celebrou. 
 
No ateliê, montado graças a um empréstimo que pegou no Empreender-PB — uma linha de crédito destinada a artesãos — Walessa mostrou à primeira-dama Camila Mariz de onde vem a fonte de inspiração: o clássico da literatura infantil O Sítio do Picapau Amarelo e o seus personagens Emília, Visconde de Sabugosa, Dona Benta, Tia Nastácia, Narizinho e Pedrinho, incluindo personagens do folclore e do imaginário popular, como Saci e Cuca. 
 
A força que Walessa encontrou para aceitar a homenagem e ganhar projeção veio da mãe, Kátia Filgueira. “Quando ela veio me dizer que recebeu o convite para essa homenagem, eu disse que, ou ela encarava, ou ficava no anonimato, mesmo com o talento que minha filha tem. Como mãe, estou achando muito importante essa homenagem que a minha filha vai receber, porque vai fazer bem ao trabalho dela e também a ela, que vai se soltar mais, ganhar mais desenvoltura”, acrescentou dona Kátia, que ajuda na confecção das bonecas ao lado do marido e pai de Walessa, seu Osvaldo, artesão que ensinou a filha a fazer as primeiras peças.
 
Logo em seguida, Camila Mariz se dirigiu até o bairro de Várzea Nova, município de Santa Rita, onde conheceu a história de superação da artesã Josileide dos Santos Lima, de 60 anos. A artesã aprendeu com a avó a confeccionar as próprias bonecas depois que apanhou do pai por ter pego as bonecas de milho do roçado para brincar — apenas uma das muitas histórias tristes que dona Josileide teve de superar ao longo do caminho.
 
Por isso, em meio a tantas histórias de superação, receber a notícia de que será homenageada pelo Governo da Paraíba durante o Salão do Artesanato no maior São João do Mundo é encarado como uma consagração. “A minha felicidade foi tanta que na hora eu nem acreditei. Tenho 50 anos de artesanato, pois aprendi a fazer as minhas bonecas, que eu chamo de filhas, desde os dez anos, e essa é a primeira homenagem que recebo. Na minha cabeça, passou um filme: a pisa que levei por ter tirado as bonecas de milho do roçado pra brincar e os preconceitos, tudo numa mistura de dor e felicidade por ter passado por cima de tudo isso. Hoje eu só encontro uma palavra para esse momento que eu estou vivendo e vou viver ainda mais: gratidão”, agradeceu.
 
As histórias contadas à primeira-dama foram ouvidas com atenção, mesmo já as conhecendo, pela grande torcedora de Josileide, a também artesã Ana Regina Pinto. “Quando eu cheguei aqui na Paraíba vinda de São Paulo, quem me acolheu foi Josileide e me ensinou a arte dela, quando pude ganhar alguma renda. Mas também a minha amiga tem grandes histórias de superação. Por isso, essa homenagem é muito justa, e tenho certeza de que vai abrir muitas portas”, comemorou.
 
“É um momento de muita emoção. A gente ouvir cada artesã e a história que há por trás da arte, a habilidade que elas desenvolvem, o afeto e o talento. Mas acima de tudo a história que há por trás de cada peça confeccionada, fazendo com que cada produção seja única”, concluiu a primeira-dama e presidente de Honra do PAP, Camila Mariz.

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