Profeta da chuva inspira projeto de tradução do ambiente natural em Recife

Renato Lino, conhecido como profeta da chuva em Quixadá, Ceará, aprendeu com seu pai a interpretar sinais da natureza para prever o clima. Observando elementos como a catingueira que descasca e a posição da porta do ninho da maria-de-barro, ele consegue antecipar se vai chover no sertão.

Pesquisadores buscam agora decodificar essas informações naturais usando tecnologia digital e inteligência artificial. O projeto, que será iniciado em Recife, pretende transformar dados sobre o comportamento de seres vivos em indicadores ambientais.

Sob a coordenação de Artur Maia, biólogo da Universidade Federal de Pernambuco, o projeto vai monitorar morcegos, ostras, aroeiras e abelhas em Recife, comparando seus comportamentos com os de áreas menos urbanizadas, como a Reserva Ambiental de Saltinho.

O objetivo é calcular o Índice de Resiliência Metabólica (IRM) do local, que refletirá o esforço dos organismos para sobreviver em ambientes urbanos. A pesquisa, chamada Apeiron, começará os testes iniciais até novembro, conduzida pelo Centro de Estudos e Sistemas Avançados de Recife (CESAR).

Artur Maia ressalta que a observação do metabolismo das espécies pode influenciar o planejamento urbano, considerando a cidade como um organismo vivo com suas particularidades. Ele destaca que o conforto metabólico não pode ser fingido, e as diferenças de pressão térmica entre bairros de Recife podem impactar o bem-estar dos habitantes de maneiras distintas.

Fonte: Agência Brasil

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