O projeto que prevê a instalação de quatro painéis de LED na esquina das avenidas Ipiranga e São João, no centro de São Paulo, deverá ser inaugurado entre o final de agosto e o início de setembro. A iniciativa, chamada Boulevard São João, foi oficializada na última quinta-feira (23) pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, pelo governador Tarcísio de Freitas, e pelo grupo empresarial Fábrica de Bares.
Apelidada de ‘Times Square Paulistana’, a proposta instalará 2 mil metros quadrados de telas na famosa esquina imortalizada na canção ‘Sampa’, de Caetano Veloso. No local, está situado o Bar Brahma, um dos estabelecimentos administrados pelo grupo Fábrica de Bares.
Os painéis serão colocados nos edifícios Cine Paris República, Herculano de Almeida, Galeria Sampa e New York. Além disso, haverá projeção mapeada no Edifício Independência 2, onde funciona o Bar Brahma. Os telões operarão diariamente, das 05h às 23h, e aos finais de semana, a área será fechada para carros, oferecendo programação cultural com quatro palcos para apresentações musicais, além de espaços para gastronomia e artesanato.
O projeto também prevê grandes eventos mensais, alinhados com o calendário da cidade, como a Virada Cultural e o aniversário de São Paulo. O investimento, de cerca de R$ 6 milhões, será totalmente privado, com melhorias no trecho entre o Largo do Paissandú e o cruzamento das avenidas São João e Ipiranga, incluindo restauração de monumentos e requalificação de calçadas.
Cerca de 70% do conteúdo exibido nos telões será voltado para artes digitais e eventos culturais, enquanto o restante será destinado a conteúdo patrocinado, sem veiculação de conteúdos adultos ou relacionados a apostas. A segurança na região será reforçada com mais de 300 policiais.
Apesar do entusiasmo, o projeto enfrenta críticas devido à Lei Cidade Limpa, que regula anúncios e publicidade na cidade. Para viabilizar o projeto, foram realizadas audiências públicas e um termo de cooperação foi assinado entre a gestão municipal e o grupo Fábrica de Bares.
O vereador e urbanista Nabil Bonduki, crítico do projeto, expressou preocupações sobre possíveis precedentes que poderiam afetar a cidade, questionando a fiscalização do conteúdo dos painéis e a proteção aos edifícios e moradores da região. Ele defende uma atualização da Lei Cidade Limpa com mais debate público.
