Saltos radicais no viaduto sumaré desafiam proibição em são paulo

Saltos radicais seguem sendo vendidos no viaduto sumaré, na zona oeste de são paulo, apesar de estarem proibidos pela prefeitura desde 2005. Anúncios em redes sociais e plataformas de venda de ingressos oferecem vagas para saltos a partir de R$ 89, em um dos pontos mais tradicionais da prática na capital paulista.

A discussão sobre a segurança dessas atividades voltou ao centro do debate após a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump no interior de são paulo. O caso reacendeu a preocupação de autoridades, especialistas e praticantes em relação ao uso de pontes e viadutos para esportes de aventura, em geral organizados por empresas privadas e divulgados pela internet.

No caso específico do Viaduto Sumaré, a prefeitura de são paulo afirma que a proibição de saltos e outras atividades radicais está em vigor desde agosto de 2005. Segundo a secretaria municipal das subprefeituras, qualquer prática do tipo no local é irregular e está sujeita à atuação dos órgãos de fiscalização. A pasta informa que a área é monitorada periodicamente pela Subprefeitura da Lapa, com apoio da Guarda Civil Metropolitana (GCM), “para coibir irregularidades e garantir a segurança da população”.

A prefeitura ressalta ainda que a realização de esportes radicais e atividades de aventura em áreas públicas depende de autorização do poder público municipal e deve seguir regras previstas na Lei Municipal nº 14.139/2006 e no Decreto nº 51.296/2010. Na prática, porém, duas décadas após a proibição, quem passa pelo viaduto ainda encontra praticantes realizando saltos e outros esportes verticais, muitas vezes em eventos organizados e divulgados em grupos de redes sociais e plataformas de ingressos.

Apesar da posição oficial, o g1 identificou anúncios oferecendo datas e horários para eventos de salto no sumaré, com vagas comercializadas a partir de R$ 89. As propagandas exploram a vista panorâmica e a tradição do viaduto como um dos cenários mais conhecidos da modalidade em são paulo. Em alguns casos, os pacotes incluem fotos, filmagens e a promessa de acompanhamento por instrutores especializados, sem, no entanto, deixar claro se há autorização formal do município para a realização da atividade.

A relação do poder público com esses esportes no sumaré já foi ambígua. Em dezembro de 2014, a própria prefeitura de são paulo apoiou o evento Fun Arena Vertical, realizado no viaduto. A programação reuniu atividades de rapel, bungee jumping e tirolesa e contou com o apoio da Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação (SEME). À época, a iniciativa era divulgada como oportunidade de lazer e prática esportiva em um cartão-postal da cidade, o que contrasta com a proibição formal em vigor desde 2005.

Hoje, no entanto, a administração municipal reforça que qualquer salto no local é considerado irregular e que a fiscalização busca coibir a prática. Mesmo assim, empresas e grupos especializados continuam usando o viaduto como vitrine, apostando na demanda por experiências radicais e na visibilidade da paisagem urbana. Os eventos são organizados em datas específicas, e os interessados se inscrevem pela internet, muitas vezes com pagamento antecipado e número limitado de vagas.

Diante desse cenário, órgãos de turismo e de defesa do consumidor recomendam que quem se interessa por esportes de aventura verifique, antes de contratar o serviço, se a empresa tem CNPJ ativo e se está regularmente cadastrada no Ministério do Turismo para operar atividades de aventura. A ausência de cadastro ou de certificações técnicas reconhecidas pode indicar risco maior ao praticante, especialmente em estruturas urbanas que não foram projetadas originalmente para esse tipo de uso.

Enquanto o impasse entre a proibição oficial e a oferta comercial persiste, o viaduto sumaré permanece como símbolo de uma prática que oscila entre a busca por adrenalina, a falta de regulação efetiva e as brechas de fiscalização em uma metrópole que convive, há anos, com esportes radicais em plena paisagem urbana.

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