A fibromialgia é uma condição crônica caracterizada pela presença de dor difusa pelo corpo e por sintomas como fadiga que interferem diretamente na qualidade de vida de quem convive com a doença. Por muito tempo, o diagnóstico dependeu da exclusão de outras hipóteses, o que dificultava o reconhecimento precoce da condição e retardava o início do cuidado adequado.
A gerente executiva de Atenção à Saúde da SES-PB, Izabel Sarmento, explicou que o atendimento no ambulatório tem início com a consulta especializada em reumatologia. Nesse primeiro momento, o médico avalia os exames laboratoriais e de imagem já realizados pelo paciente e, quando necessário, solicita novos exames para complementar a investigação. A partir dessa avaliação, o paciente é encaminhado para o conjunto de terapias disponibilizadas pelo serviço, de acordo com suas necessidades.
“Contamos com uma oferta de práticas integrativas realizadas tanto de forma coletiva quanto individual, além do acompanhamento com fisioterapeuta, psicólogo e assistente social. A partir desse cuidado integral, entendemos que não é suficiente apenas a consulta com o especialista. É fundamental também oferecer acompanhamento por meio das terapias, contribuindo para que o paciente tenha melhores resultados e avanços no seu cuidado”, afirmou.
Segundo a gestora, o acesso ao ambulatório ocorre por meio da rede de saúde. O paciente deve ser encaminhado pela Unidade Básica de Saúde (UBS) do seu município, seguindo o fluxo da regulação municipal até a regulação estadual, etapa responsável por agendar o atendimento. O serviço funciona às quintas-feiras à tarde, com a oferta inicial de seis consultas de primeira vez por semana, número que deve ser ampliado, com a abertura de um novo turno, para acolher também as consultas de retorno. Podem ser atendidos pacientes de todo o estado que apresentem queixas sugestivas de fibromialgia ou que já tenham diagnóstico confirmado. Ainda que o ambulatório funcione na primeira macrorregião de saúde, o serviço é referência para toda a Paraíba.
Entre os primeiros pacientes atendidos está Livanir Martins, que convive com sintomas de fibromialgia desde 2010 e recebeu o diagnóstico entre 2012 e 2013. Para ela, a abertura do ambulatório é uma mudança significativa na forma como pacientes com fibromialgia passam a ser acolhidos pelo sistema de saúde. “Tenho certeza de que vai ser uma nova etapa na minha vida, assim como na vida das minhas companheiras e dos companheiros que também têm fibromialgia. Vai ser uma porta aberta para uma nova caminhada a partir de hoje”, relatou.
Para a reumatologista Karen Galdino, a estruturação de um serviço voltado especificamente para a fibromialgia representa um avanço no reconhecimento da doença. “Com esse ambulatório, vamos ter acesso a um tratamento multidisciplinar e também às práticas de terapias integrativas”, destacou a médica, que lembrou que a fibromialgia já foi tratada, por muito tempo, como uma doença de exclusão, e hoje é compreendida a partir de critérios próprios de diagnóstico.
A estruturação do novo serviço contou com a atuação conjunta da SES-PB e da direção do Complexo Juliano Moreira, sob responsabilidade do diretor-geral Tércio Ramos, no acolhimento e na organização do espaço para o início dos atendimentos. As práticas integrativas e complementares oferecidas pelo ambulatório incluem, além de auriculoterapia, massoterapia, reiki e yoga, atividades como musicoterapia, dança e ventosaterapia, sempre indicadas conforme avaliação da equipe multiprofissional. A proposta é que esses recursos atuem em conjunto com o acompanhamento médico, contribuindo para o manejo da dor, da fadiga e de sintomas emocionais frequentemente associados à doença, como ansiedade e quadros depressivos.
Levantamento realizado pela Gerência Executiva de Atenção à Saúde (GEAS), em parceria com a Gerência Operacional de Atenção às Condições Crônicas, identificou 3.958 pessoas já diagnosticadas com fibromialgia nos 223 municípios paraibanos. O estado também mantém a emissão da Carteira de Identificação da Pessoa com Fibromialgia (CIPF), documento que reconhece a condição e amplia o acesso aos direitos previstos em lei estadual. Até o momento, 1.299 carteiras já foram emitidas.


