A seleção iraniana chegou ao México na madrugada deste domingo para a disputa da Copa do Mundo, que será realizada simultaneamente no México, Estados Unidos e Canadá. Em meio à guerra entre Irã e Estados Unidos, iniciada em fevereiro, a delegação iraniana conseguiu mudar sua base durante o torneio.
Inicialmente, os iranianos ficariam hospedados no Arizona, nos Estados Unidos, mas nos últimos dias foi acertada a mudança para a cidade de Tijuana, no México. A seleção do Irã, no entanto, jogará as três partidas da primeira fase nos EUA.
Seus dois primeiros jogos serão perto de Los Angeles: contra a Nova Zelândia em 15 de junho e contra a Bélgica em 21 de junho. Depois, no dia 26 de junho, enfrentará o Egito em Seattle.
Esta é a primeira Copa do Mundo desde sua criação, em 1930, na qual a nação anfitriã receberá um país com o qual está em guerra. A recepção, porém, não é calorosa. Um funcionário do Departamento de Estado dos EUA confirmou a emissão de vistos, destacando que foram concedidos apenas “aos atletas e à equipe de apoio necessária”.
“Não permitiremos que a seleção iraniana abuse desse sistema para levar terroristas para os EUA sob falsos pretextos”, acrescentou o funcionário do governo estadunidense.
O embaixador do Irã no México, Abolfazl Pasandideh, se queixou da obrigação da seleção de seu país precisar viajar para os Estados Unidos no mesmo dia de suas partidas, devido à limitação dos vistos concedidos. Ele afirmou que essa obrigatoriedade poderá prejudicar fisicamente a seleção iraniana.
“Viajar por tanto tempo, indo e voltando em voos, deixará os jogadores cansados. Os problemas de coordenação e perda de tempo poderão afetar a performance da nossa seleção”, disse Pasandideh em coletiva de imprensa.
Ele ressaltou que a presença da seleção na Copa, enquanto o Irã está sob ataque militar estadunidense, demonstra a intenção pacífica do país. “Levando em conta que nosso país está sob ataque, para mostrar que viemos pela paz, nós trouxemos nosso time.”
Nem toda a delegação tem presença garantida no mundial. Vários membros da seleção iraniana não receberam vistos, incluindo “membros importantes da gerência e da administração”, segundo a federação de futebol do Irã, que acusou os EUA de violarem as normas da Fifa.
Pasandideh afirmou que 15 dos 70 membros do grupo que chegaram a Tijuana não receberam vistos para entrar nos EUA.
