# Esporotricose Animal Avança em São Paulo e Preocupa Autoridades de Saúde
A esporotricose, doença causada por fungos do gênero Sporothrix, representa um desafio crescente para a saúde pública em São Paulo. O Conselho Regional de Medicina Veterinária do estado alerta para o avanço significativo dos casos, que já impacta tanto a saúde animal quanto a humana, com a enfermidade sendo considerada um dos principais desafios sanitários urbanos relacionados a zoonoses no Brasil.
Os gatos são os principais afetados pela doença, pois os fungos estão bem adaptados à temperatura corporal da espécie, tornando-a chave na cadeia de transmissão. A contaminação ocorre principalmente por inoculação traumática, quando os animais entram em contato com solo contaminado ao cavar, ou através de espinhos e lascas de madeira. O contato direto com outros animais doentes, especialmente durante brigas e arranhões, além do contato com secreções de lesões cutâneas, também representa importante via de transmissão.
Os dados revelam a magnitude do problema. Entre 2022 e 2023, o número de casos confirmados de esporotricose animal no estado aumentou de 2.417 para 3.309. Em 2024, o número se manteve elevado, com 3.344 casos, indicando uma possível tendência de estabilização da doença no território. A enfermidade tem avançado continuamente desde 2011 em São Paulo, espalhando-se por municípios da Região Metropolitana e do litoral.
Apesar do crescimento alarmante, a notificação da doença em animais ainda não é obrigatória na maior parte do território paulista, o que dificulta a mensuração real do problema e o planejamento de estratégias eficazes de controle. Apenas em São Paulo capital existe portaria que obriga a notificação desde 2020. Já a variante humana da doença passou a ter notificação compulsória desde o primeiro semestre de 2025. O Projeto de Lei nº 707/2025, que tramita na Assembleia Legislativa do estado, propõe tornar obrigatória a notificação de todos os casos suspeitos e confirmados em humanos e animais.
Os sintomas da esporotricose em humanos podem surgir entre poucos dias e até três meses após a infecção. Geralmente, a doença se manifesta como um pequeno nódulo indolor que, com o tempo, pode aumentar de tamanho e evoluir para uma ferida aberta. As formas clínicas dependem do estado imunológico do paciente e da profundidade das lesões, podendo se apresentar de forma cutânea, atingindo a pele, o tecido subcutâneo e o sistema linfático, ou de forma extracutânea, com disseminação para órgãos como pulmões, ossos e articulações. Quando não tratada adequadamente, pode evoluir para feridas extensas e formação de nódulos, disseminando-se para além da pele em pessoas com imunossupressão.
Em gatos, os sinais clínicos incluem feridas em diferentes partes do corpo, principalmente na região nasal, além de linfonodos inchados, lesões na mucosa nasal e sintomas respiratórios como espirros. Alguns animais também apresentam anemia e alterações no número de glóbulos brancos, perda de apetite, falta de sede e apatia.
O tratamento em animais é realizado com antifúngicos via oral, sendo o itraconazol o medicamento de escolha. A monoterapia com itraconazol apresenta índice de cura de 38%, sendo indicada para casos cutâneos isolados. Para lesões cutâneas disseminadas, quadros respiratórios, recorrência da doença e quadros refratários à monoterapia, a associação de itraconazol com iodeto de potássio resulta em índices de cura que variam de 66 a 98%. O tratamento pode durar de alguns meses a mais de um ano, dependendo da gravidade e da resposta do animal. O medicamento deve ser administrado em alimento palatável de consistência pastosa para evitar manipulação e risco de infecção dos tratadores.
O acompanhamento médico-veterinário é essencial durante todo o processo terapêutico. Além dos antifúngicos, recomenda-se limpeza adequada das lesões com orientações veterinárias, isolamento do animal infectado para evitar transmissão a outros pets, manutenção de ambientes limpos e bem higienizados, além de apoio nutricional especialmente em casos avançados. O medicamento não deve ser interrompido antes do prazo recomendado pelo veterinário, salvo em casos de efeitos adversos.
As autoridades de saúde enfatizam a importância de buscar atendimento médico assim que surjam os primeiros sintomas de esporotricose em humanos. Da mesma forma, animais com sinais suspeitos devem ser avaliados por médico-veterinário e, sempre que possível, submetidos a exames laboratoriais para confirmar o diagnóstico. O material para diagnóstico é coletado através de swab estéril de exsudato das lesões de pele e enviado para laboratório especializado.
O conselho também alerta para a importância de tratar animais doentes e evitar seu abandono, quebrando a cadeia de infecções. Medidas preventivas como manter a pelagem dos gatos limpa e bem cuidada, fortalecer a imunidade com boa alimentação e cuidados veterinários regulares, além de evitar o acesso de animais infectados à rua, são fundamentais para controlar a disseminação da doença na população.
