Trump diz que ataque à Venezuela deixou “muitos” mortos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou em discurso aos deputados republicanos em Washington, nesta terça-feira, a ação militar realizada por seu país na Venezuela no último sábado, quando forças americanas capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. A operação, descrita por Trump como “muito complexa”, envolveu 152 aeronaves e tropas em solo, com ataques que cortaram a eletricidade em quase todo o país, deixando Caracas às escuras, exceto por velas usadas por alguns moradores.

Trump destacou o sucesso tático da missão, afirmando que ela provou ser a mais poderosa, letal e sofisticada força militar do planeta, sem rivais capazes de enfrentá-la. Ele mencionou que, do lado americano, ninguém morreu, mas “do outro lado, muitos morreram”, incluindo “muitos cubanos” entre os seguranças de Maduro. O presidente norte-americano chamou Maduro de “um cara violento” que tentou imitar sua dança em um vídeo recente, e criticou o Partido Democrata por se opor à ação, além de manifestantes em Nova York contra o sequestro, a quem acusou de serem “pagos”.

A intervenção, conhecida como Operação Resolução Absoluta, ocorreu na madrugada de sábado com explosões e ataques aéreos em Caracas e outras regiões. Tropas da Força Delta, apoiadas por helicópteros do 160º Regimento de Aviação de Operações Especiais e agentes do FBI, invadiram o complexo residencial de Maduro. Logo após a captura às 3h, o casal foi levado de helicóptero para o navio USS Iwo Jima no Caribe e, em seguida, transportado para Nova York, onde Maduro está detido no Centro de Detenção Metropolitano no Brooklyn, sob acusações de narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos. Trump confirmou a captura em sua rede social Truth Social às 6h21, publicando uma foto de Maduro vendado e algemado a bordo do navio.

Do lado venezuelano, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, denunciou no domingo que boa parte da equipe de segurança de Maduro foi morta “a sangue frio”, incluindo soldados e cidadãos inocentes, em um vídeo ao lado de membros das Forças Armadas. A vice-presidente Delcy Rodríguez, agora presidente interina, ordenou a prisão de qualquer pessoa envolvida no apoio ao ataque e classificou a ação como sequestro, exigindo a libertação de Maduro, a quem considera o único presidente legítimo. Rodríguez publicou decreto para buscas nacionais e pediu união contra a intervenção.

A operação gerou reações internacionais. O Brasil, na OEA, chamou o sequestro de “afronta gravíssima” à soberania venezuelana, representando um precedente perigoso. Na ONU, a subsecretária-geral Rosemery DiCarlo expressou preocupação com violações ao direito internacional, enquanto o embaixador americano Michael Waltz defendeu a ação como “aplicação da lei” facilitada pelas Forças Armadas, negando guerra ou ocupação, e afirmando que os EUA não tolerarão a Venezuela como base para Irã, Hezbollah, cubanos ou gangues. Trump anunciou que os Estados Unidos assumirão administração interina até uma transição pacífica, com retorno de petroleiras americanas para explorar o petróleo venezuelano, invocando a Doutrina Monroe para ampliar influência no Hemisfério Ocidental.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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