Os bombardeios dos Estados Unidos contra a Venezuela destruíram completamente o prédio do Centro de Matemática do Instituto Venezolano de Investigações Científicas (IVIC), localizado no estado de Miranda, vizinho à capital Caracas. Ligado à Universidade Nacional das Ciências do país, o edifício abrigava laboratórios e equipamentos essenciais, enquanto os centros de Física, Química, Ecologia e Tecnologia Nuclear sofreram danos parciais, conforme anúncio do instituto nesta quarta-feira.
Não houve feridos no ataque a essa instalação científica, mas um vídeo divulgado pelo IVIC mostra as estruturas em ruínas, com servidores e redes de computadores completamente devastados. A investigação interna do instituto identificou fragmentos de uma bomba AGM 154 C-1, um projétil guiado de alta precisão com mais de quatro metros de largura, como o responsável pelo impacto direto.
“O conhecimento, a ciência e a tecnologia não podem ser usados como armas de guerra para destruir nações. Atacar civis, promover guerras e visar instalações civis e militares e centros de pesquisa científica, perturbando a paz de um povo, nada mais são do que atos de terrorismo e crimes contra a humanidade”, declarou o vice-ministro de Aplicação do Conhecimento Científico e diretor do IVIC, Alberto Quintero.
O IVIC, fundado em 1959 como um dos principais centros de pesquisa da Venezuela, comprometeu-se a reconstruir as instalações afetadas. “Essas áreas abrigavam servidores e equipamentos essenciais para nossas redes de computadores, que foram completamente devastadas. Não há qualquer justificativa para atacar um santuário da ciência, um lugar que forneceu respostas históricas para o país e para o mundo”, enfatiza o comunicado oficial do instituto.
Esse episódio faz parte de uma agressão militar mais ampla, iniciada no último sábado, quando os Estados Unidos bombardearam quatro cidades venezuelanas – incluindo Caracas, Miranda, Aragua e La Guaira – resultando na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Maduro, acusado pelos EUA de narcotráfico e liderança do suposto Cartel de los Soles, foi levado a um centro de detenção em Nova York e nega as imputações, afirmando que a operação visa controlar as vastas reservas de petróleo do país, as maiores comprovadas do planeta.
Até o momento, foram confirmadas pelo menos 58 mortes na invasão, incluindo 32 militares cubanos que apoiavam a segurança de Maduro, além de soldados venezuelanos e civis como a idosa Rosa Helena González, vítima de infarto durante bombardeio em Catia La Mar, e a colombiana Yohanna Rodríguez Sierra, morta em El Volcán. A ação foi condenada pela ONU e por diversos governos, que a veem como violação do direito internacional e um precedente perigoso para a América Latina.
Com Maduro detido, o presidente americano Donald Trump tem pressionado a presidente interina Delcy Rodríguez para conceder acesso total aos EUA e promete “governar” a Venezuela até uma transição política. Rodríguez, por sua vez, reafirma a independência do país, enquanto explosões iniciais foram ouvidas por volta das 2h locais, com aeronaves sobrevoando alvos como Fuerte Tiuna e a Base Aérea de La Carlota. Trump descreveu a operação como um “ataque brilhante taticamente”, sem baixas americanas reportadas.
