Lula agradece a Sánchez por apoio sobre acordo com UE

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, tiveram, nesta sexta-feira, uma conversa telefônica marcada pela celebração da aprovação do acordo entre Mercosul e União Europeia e pela preocupação comum com a crise na Venezuela. Ao falar com o líder espanhol, Lula agradeceu diretamente o empenho de Sánchez para que o Conselho Europeu desse aval ao tratado birregional, visto pelo governo brasileiro como um marco após décadas de negociações e como um sinal político em defesa do multilateralismo e de regras comerciais estáveis e previsíveis. Segundo o presidente, a expectativa é de que o acordo produza benefícios concretos para as populações dos dois blocos, ampliando comércio, investimentos e cooperação em diferentes áreas.

Na avaliação do Planalto, a aprovação do texto pelos países europeus amplia o papel de Brasil e Espanha como pontes entre a América do Sul e a União Europeia, em um momento de disputas geopolíticas e de avanço de agendas protecionistas. Ao agradecer o apoio de Madri, Lula buscou também consolidar a sintonia política com Sánchez, que, nos últimos anos, se colocou como um dos principais defensores, dentro da Europa, da conclusão do pacto com o Mercosul. A leitura em Brasília é que o entendimento pode abrir espaço para novas parcerias nas áreas de transição energética, meio ambiente e digitalização, além de fortalecer a posição dos dois governos em fóruns internacionais que discutem reforma da governança global.

A pauta do telefonema, porém, não se limitou ao comércio. Um dos pontos centrais da conversa foi a situação da Venezuela após o sequestro do presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, episódio que intensificou a tensão regional e provocou forte reação de países latino-americanos e europeus. Lula e Sánchez destacaram a importância da declaração conjunta divulgada por Brasil, Chile, Colômbia, México, Uruguai e Espanha, na qual os governos rejeitam a divisão do mundo em zonas de influência e condenam o uso da força nas relações internacionais sem respaldo da Carta das Nações Unidas. O texto, lembrado pelos dois líderes, expressa preocupação com a escalada militar e defende o respeito à soberania venezuelana e às soluções negociadas para a crise.

Os líderes também mencionaram o anúncio, feito em Caracas pelo presidente da Assembleia Nacional venezuelana, da liberação de presos venezuelanos e estrangeiros, entre eles quatro cidadãos espanhóis. A medida foi recebida como um gesto positivo em meio ao agravamento do cenário político e humanitário no país. Lula aproveitou a conversa para informar sobre o envio, pelo governo brasileiro, de dezenas de toneladas de insumos e medicamentos de hemodiálise para recompor os estoques de um centro de distribuição atingido por bombardeios norte-americanos, em um esforço de marcar a posição do Brasil em favor de respostas humanitárias e diplomáticas, em vez de ações militares.

A articulação em torno da crise venezuelana tem sido uma constante na agenda externa de Lula desde os ataques de início de janeiro. Além de Sánchez, o presidente brasileiro intensificou contatos com chefes de Estado da região e de fora dela, em busca de apoio a uma saída política negociada para o país vizinho. Ao lado de governos de perfil progressista, como Chile, Colômbia e México, e em convergência com a Espanha, o Planalto tenta consolidar um eixo que combine pressão diplomática contrária à intervenção armada com incentivos a gestos de distensão internos, como libertação de presos e abertura a mediações internacionais.

No telefonema desta sexta-feira, Lula e Sánchez também concordaram sobre a necessidade de manter vivo o debate global em defesa das instituições democráticas. Os dois acertaram a realização, nos próximos meses, na Espanha, de uma nova edição do foro Em Defesa da Democracia – Combatendo os Extremismos, dando continuidade às reuniões já promovidas em Santiago e em Nova York. A iniciativa reúne líderes políticos, acadêmicos e representantes da sociedade civil para discutir estratégias de enfrentamento a discursos de ódio, desinformação e movimentos antidemocráticos, fenômenos que ambos os governos identificam como ameaça comum às democracias contemporâneas.

Ao articular, em uma mesma conversa, avanços econômicos com o acordo Mercosul-União Europeia, críticas ao recurso à força no cenário internacional e a preparação de um foro contra extremismos, Lula e Sánchez buscaram consolidar uma agenda compartilhada que combina integração comercial, defesa do multilateralismo e compromisso com soluções pacíficas para crises regionais. A avaliação em Brasília é que a parceria com a Espanha ganha um novo patamar, tanto pelo peso de Madri dentro da União Europeia quanto pela proximidade política entre os dois governos.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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